A busca e o encontro do equilíbrio em “Pendular”, de Julia Murat!

Meu amor pelo cinema brasileiro não é nada discreto. Quem acompanha meus textos sabe que tenho uma admiração incrível pelo nosso cinema. Tudo bem que tem algumas produções que me irritam, que preferia nem ter assistido (se você voltar alguns posts atrás, você terá um grande exemplo disso), mas ultimamente – tirando algumas exceções – eles tem me encantado.

O último lindo filme que vi foi “Pendular”, de Julia Murat. Com um roteiro que traz a história de um casal de artista e a busca por um convívio mais feliz e leve em um mesmo espaço. O lugar não só é a casa dos dois, como também é o local de trabalho. Um escultor e sua equipe, uma bailarina e seu companheiro de trabalho. Uma fábrica, uma casa, um lugar para trabalhar, um lugar para se fazer festas, um lugar para se apresentar, para dividir todos os sonhos, desejos e sinceridade – ou não – do casal.

A história foi escrita por Júlia e o por Matias Marini. Na época, os dois acabavam de começar uma relação e estavam descobrindo esses prazeres e dificuldades que um casal – na maioria das vezes – passa. São duas mentes, duas formas de pensar, duas pessoas com diversos desejos, que se gostam, mas que nem sempre as opiniões serão iguais. O afeto do casal – do filme – é bem lindo, mas é enorme a dificuldade de se comunicar. Para complementar a história, ainda temos um “pequeno” segredo entre eles que faz mover uma parte do filme.

Esse tipo de relação é algo muito mais difícil – ou delicado, se preferirem que amenize – do que qualquer outro “morar junto”. Você, além de dividir um espaço – o ‘seu’ espaço – com uma outra pessoa, você ainda divide o espaço de trabalho. E ainda, com uma pessoa onde você tem total “liberdade” de expressar o que sente e o que pensa. É difícil. Por isso que a busca pelo equilíbrio é algo – quase – obrigatório.

Gosto da atuação dos atores. Raquel Karro e Rodrigo Bonzan vivem muito bem os dois artistas. Acredito e torço muito pelos dois. Torço pela felicidade de cada um (seja ela com o outro ou não) e que eles encontrem logo algum jeito de se entender. Gosto também de Felipe Rocha, que surpreendeu em “Como Nossos Pais” e que faz aquela boa grande pequena participação em “Pendular”.

A locação também conversa muito bem com a história do filme. Em entrevista, Julia comentou sobre a escolha do local. Ele já é um espaço que serve para apresentações artísticas, que respira um pouco mais de arte do que qualquer galpão abandonado. Isso já ajuda bastante. Mas, ao mesmo tempo, também é um lugar com uma energia forte, que não foi tão fácil de gravar. Enfim, valeu todo o sacrifício da equipe do filme, pois não poderia ter sido escolhido outro lugar.

Em um filme onde temos um escultor e uma bailarina, e que tem o primeiro movimento de cena baseado na obra da Marina Abramovic (Rest Energy), a coreografia e as artes presentes nele não poderiam passar despercebidos. As obras, que também posso dizer que são “personagens” do filme, são assinadas por Elisa Bracher e Marina Kosowski. Todas as obras presentes no filme geraram uma exposição que está no MAM – RJ, onde também é possível assistir ao filme. Já toda a coreografia presente no longa é de Flávia Meireles, que trabalha muito bem a questão do “dois”, do casal, do equilíbrio, ou da falta de equilíbrio. Até uma respiração bem coreografada  diz muito sobre os segredos que envolvem o casal.

Antes de terminar o post sobre o filme, preciso compartilhar aqui uma das músicas da trilha sonora. “Aquela Dança”, de Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, faz você querer dançar, pular, cantar e sorrir, como os personagens fazem nesse momento. Então, dance, cante, pule e sorria com essa música!

E aqui segue o trailer do filme que considero um belo conjunto de obra de arte. Diversas artes reunidas em em uma só produção, que já passou por grandes festivais de cinema como o de Berlim, o Internacional do Uruguay (levando como melhor filme), e o de Brasília, que ainda está acontecendo. “Pendular” faz parte da mostra competitiva de longas e tem chances de levar alguns prêmios para casa.

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Carol Cruz

Uma pessoa completamente apaixonada pela cultura (por todo tipo de cultura), uma produtora vidrada pelo mundo do teatro, principalmente dos musicais. Viciada em uma adrenalina de uma produção, seja ela em um ao vivo ou em um evento. Fofurices me encantam mas Caetano também. Escreve culturalmente através deste blog!

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