A quarta noite do Cine PE 2016

Foto: Carolina Cruz/ site Culturalmente Falando.
Na imagem (da esquerda para direita): Rodrigo Gava (As Aventuras do Pequeno Colombo), Jackson Abacatu (O Último Engolervilha), Marcello Sampaio (O Coelho), Tauana Uchôa (A Vida em uma Viagem) e Alfredo Bertini mediando a mesa. Foto: Carolina Cruz/ site Culturalmente Falando.

A noite da quinta-feira (5)  foi a mais curta e creio que a mais desanimada.

O curta A Vida em uma Viagem da Tauana Uchôa – segunda produção da pernambucana na edição do Cine PE 2016 – traz uma doçura às telas. Comparando com o seu primeiro filme apresentado – Não Tem Só Mandacaru – que fala sobre poemas e a relação do jovens com essa cultura, eu ainda acho que no A Vida é uma Viagem o lírico, o poético, o doce, vem mais forte. A produção tem boa qualidade, fotografia e direção de arte também. Esta última teve que ser bem trabalhada pois o roteiro ( apesar de ser um curta) vem extenso em relação à datas e aos fatos que marcaram o país.

Durante o Cine PE já vimos todos os tipos de orçamentos: alto, médio, baixo, baixíssimo e zero, através de Leis de Incentivo ou Patrocínios. Nesse cale ressaltar que a produção foi feita por Cartase – quando pessoas (des)conhecidas doam dinheiro através de um site para a realização de alguma produção normalmente ligada à arte – e o resultado foi muito, muito bonito. Em dois meses Tauana conseguiu o dinheiro para produção. Resta a dizer que é um filme muito bem pensado, muito bem produzido e muito bem realizado. E olhe que nem fala tem. Simples e bonito, e encantador. Vimos que ele foi feito com muito amor. Não só pela história mas também pelos – vários – simples detalhes do filme como o colar. Na verdade o que estava em cena não era o que Tauana desejava para o filme, era outro tipo que só foi encontrada no fim das gravações mas que hoje em dia está acompanhando-a – inclusive na Coletiva o colar estava lá. E tem todo o significado. Além de lembrar o filme, dentro ela também carrega pessoas queridas.

O Coelho do carioca Marcello Sampaio traz toda uma crítica ao machismo, ou melhor, traz uma forma meio diferente de mostrar o empoderamento feminino. Se ele choca? Sim, ele choca. Se ele é forte? Sim, ele é forte. Se conseguiu agradar à todos? Não sei se à todos mas à uma maioria sim. Deu para perceber nos gritos e aplausos no fim da sessão.

Mas o curioso é que apesar de ter toda uma defesa ao empoderamento feminino, ele deixa uma certa dúvida. Não falo pelo filme num total, falo pelo final da personagem principal. Realmente, o final mostra a força do poder feminino mas mostra de uma forma meio inusitada.

 A atriz responsável por esse momento foi a Ingrid Cairo, de 11 anos, que interpretou a Laura. Mas o mais curioso de toda a produção é que ela simplesmente não sabe nada da real história do filme e nem até então não pode vê-lo. A censura é de 18 anos e não é à toa. Mas Marcello junto com a produtora Jéssica Quadros soube montar muito bem e trabalhar com essa situação. Ele conta que a mãe da própria Laura participava de tudo, inclusive das reuniões e da preparação de elenco quando a atriz não podia participar. O louvável também é que ela sabe de toda a situação e entende. “Essa experiência já está sendo ótima”, reação da jovem segundo o próprio Marcello.

Lembrando que o curta teve orçamento ZERO, todo feito na base da amizade.

Sobre O Último Engolervilha. Sério, eu quase ia esquecendo de comentar esse. E olhe que dei um pulo pois ele foi o segundo do noite – que tem a “direção geral” de Marão mas que vem com mais outros 13 diretores mas que vem com mais outros 14 diretores,  é um curta com 15 curtas dentro dele. Deixou a produção meio com uma misturada de temas e de estilo. Não, isso não foi ruim. Mas “coincidentemente” a maioria dos curtas vieram com a temática escatológica.

Foi arriscado o projeto? Foi. Poderia ter feito algo mais planejado? Poderia. Mas também o seria da gente se a gente não “correr riscos”. Eles correram esse risco e até “acertaram”. A maioria do público gargalhou, gostou, aplaudiu. Mas, apesar de todo os aplausos, eu fiquei meio em choque com algumas animações. Concordando com Luiz Carlos Mérter, o melhor de todos – o menos rude, o mais “fofinho” – foi o “assassinato da barata” e sua conversa entre o seu provável assassino do diretor libânes (o único de fora), Jirair Garabedian.

Esse curta faz parte de uma série que já está no 5º episódio, e temos que concordar, que muitas das animações parece uma piada mas na verdade é a pura realidade.

A animação do diretor Rodrigo Gava e do roteirista Pedro Stilpen foi o longa da noite. As Aventuras do Pequeno Colombo trás o pequeno Cris (Cristóvão Colombo) querendo ajudar o pai que passa por uma situação financeira complicada. A partir daí ele se junta com Léo (Da Vinci) e Lisa (sim, Mona Lisa) e o filme se desenvolve. Aí é que está a complicação: ele se desenvolve DEMAIS. Sabe quando a gente percebe que o filme deveria chegar ao fim mas ainda tem umas cenas – lógicas – para resolver todo o dilema do roteiro? Pronto, foi bem isso que eu senti. E olhe, que segundo Rodrigo, o filme teria mais coisas que foram cortadas. É um filme cheio de referências históricas. Tanto que ele afirma:  “não fizemos pesquisas com as crianças, fizemos pesquisas históricas”.

Em tempo Rodrigo e Stilpen já estão produzindo o As Aventuras do Pequeno Colombo 2. Rodrigo, que também assinou a co-produção do filme da Turma da Mônica e Xuxa no Mundo da Imaginação na TV, está no ar com Tronquinho e o Pão de Queijo no canal Gloob e prepara mais um filme: “Operação Gaya”, infantil mas com uma “pegada” mais adiantada, que falará sobre uma menina que pensa que está indo para uma agência de modelo mas na verdade esse lugar é uma agência de espiã.

Enfim, vida longa à animação brasileira que vem se destacando por aí. Não só pelas séries na TV mas pelos filmes. Não podemos deixar de citar “O Menino e o Mundo” de Alê Abreu, que infelizmente fez mais sucesso lá fora do que dentro do seu próprio país.

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Carol Cruz

Uma pessoa completamente apaixonada pela cultura (por todo tipo de cultura), uma produtora vidrada pelo mundo do teatro, principalmente dos musicais. Viciada em uma adrenalina de uma produção, seja ela em um ao vivo ou em um evento. Fofurices me encantam mas Caetano também. Escreve culturalmente através deste blog!

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