A querida – e dançante – Califórnia de Marina Person

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Em nossa vida tudo começa com um sonho, e não foi diferente no filme Califórnia da diretora Marina Person. É justamente por conta desses sonhos que a história começa a se desenrolar.

A narrativa da Marina junto com Mariana Veríssimo e Francisco Guarnieri, conta a história de Estela (Clara Gallo), jovem garota que sonha em ir para Calofórnia para morar com o Tio Carlos (Caio Blat). Tudo certo para a viagem mas quem volta para o Brasil é o seu tio. Por um motivo delicado – “para a época” -, a AIDS, ele volta para o Brasil antes da sobrinha ir ao seu encontro. A relação dos dois é incrível, tipo de melhores amigos. Mas o mais incrível é a interpretação da Clara. Ela vem singela e sincera. Vem de um jeito leve. Digamos que a atuação dela flui pelo filme.

Dou destaque para esses detalhes pois Estela é uma personagem que está em plena metamorfose, em plena mudança. A vida dela não só muda pelo fato do tio voltar para o Brasil mas ao longo do tempo percebemos que o hormônio e suas descobertas de sentimentos vão aflorando e a transformando. Quem é adolescente COM CERTEZA vai se identificar com Estela. E quem já é adulto se recordará dessa época.

Falando em sentimentos, vale ressaltar o lado amoroso da Estela. A jovem começa o filme gostando do garotinho popular da escola (o playboyzinho) e termina gostando do “diferentão”, o JM. JM é feito por Caio Horowicz, que também vem com uma atuação leve e incrível.

Só para terminar o assunto atuação, tenho que falar sobre Caio Blat: Palmas, Caio. Palmas.

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Caio Blat em cena com Clara Gallo. O Tio Carlos e a sobrinha Estela. Foto: Divulgação.

ANOS 80 

O filme se passa nos anos 80 e o trabalho de fotografia de Flora Dias e o de arte de Ana Maria Abreu junto com o figurino de Letícia Barbieri, transportam o público diretamente para a época. É impressionante que como durante o filme inteiro tive a sensação de assistir a um filme com produção em 1980 e não em 2015.

Foto: Aline Arruda
Foto: Aline Arruda

TRILHA SONORA

Mesmo com as boas atuações, a parte técnica incrível, o que realmente “encaminha” o filme é a trilha sonora. As músicas dão forma ao filme. Dão o começo, o meio e o fim para o longa. (Obrigada, Marina, por me trazer um novo vício. Beat Acelerado II tem que ser tocado pelo menos duas vezes por dia. Fica a dica e vejam os créditos até o fim).

E não é só Metro que anima o filme, não! Titãs, Kid Abelha, Lulu Santos, Blitz, Paralamas do Sucesso, The Cure e o mais querido da diretora, David Bowie.

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A  HISTÓRIA E A DIRETORA

Marina também pode até ter dito em outras entrevistas que o filme não é autobiográfico mas de uma coisa eu tenho certeza: Clara está muito parecida com ela. Não só nos “trejeitos” mas fisicamente também. (pronto, dei minha opinião e podem me julgar haha).

Se vale a pena? Sim, vale. Califórnia é uma ótima pedida para um domingo. O texto não pode ser tão empolgante. Mas é uma lindeza de filme. Certeza que quando você terminar de assistir, você sairá por aí dançando e feliz. (Pelo menos foi essa a sensação que tive).

Para quem tiver interesse em assisti-lo, o longa está sendo exibido no Canal Brasil e se encontra no Now da Net.

Ah! Acredita que acabei de escrever este post e a trilha veio em mente?

… Coração ligado, beat acelerado…

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Carol Cruz

Uma pessoa completamente apaixonada pela cultura (por todo tipo de cultura), uma produtora vidrada pelo mundo do teatro, principalmente dos musicais. Viciada em uma adrenalina de uma produção, seja ela em um ao vivo ou em um evento. Fofurices me encantam mas Caetano também. Escreve culturalmente através deste blog!

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