A segunda noite dos curtas no CinePE 2016

Houdine Nascimento e Wanderley Andrade (O Imperador da Pedra do Reino), Gustavo Moraes (+1 Brasileiro) e Pablo Polo (Minha Geladeira Pensa que é um Freezer). Foto Daniela Nader/Divulgação.
Houdine Nascimento e Wanderley Andrade (O Imperador da Pedra do Reino), Gustavo Moraes (+1 Brasileiro) e Pablo Polo (Minha Geladeira Pensa que é um Freezer). Foto Daniela Nader/Divulgação.

O Cine PE 2016 seguiu sua segunda noite de festival com quatro curtas e um longa metragem. Para abrir a noite, Houdine Nascimento e Wanderley Andrade apresentaram o seu “Imperador da Pedra do Reino“, documentário que traz outra visão da vida de Ariana Suassuna. No curta, nós conhecemos um outro lado dele, o lado poeta e escultor do Paraibano. A produção foi realizada após a sua morte, mas o intuito era ter feito antes, diz Houdine. Depoimentos como o de Dantas Suassuna, Samarone Lima, imagens do filme Pedra do Reino e animações com as artes de Ariano formam o filme (que aliás, está muito bem animado). Ou seja, no filme nós conhecemos a vida de Ariano através das suas obras. Com 17 horas de produto bruto, os diretores conseguiram chegar aos bons 13 minutos. Particularmente, antes de assistir ao filme, achei que seria pouco tempo para tanta coisa que Ariano tem a nos mostrar.

+1 Brasileiro

Para surpresa, o segundo curta da noite era um musical, gênero não muito comum no Brasil. Mesmo sendo um musical, Gustavo Moraes (o diretor e escritor) trouxe para a tela uma história “dura”. “O musical veio como uma válvula de escape para entrar na cabeça do personagem”, diz Gustavo, justificando o uso desse gênero.

A história traz no fundo uma crítica social. Como se fosse um relato da situação de mais um brasileiro que tem uma situação econômica difícil mas que ao mesmo tempo não quer que falte nada para sua família. É um filme crítico mas ao mesmo tempo emocional. “Sou louco por musical mas também sou louco por social”, confirmou Gustavo, que mesmo com toda dureza – crueldade – do ser humano, se diz acreditar nas pessoas. Acreditar o ser humano é capaz de ser uma pessoa boa, que pode ter boas recompensas pelas suas atitudes.

Foi um filme caro, até coreógrafa ele teve que contratar. Até o ator principal se assustou com o convite pois ele não sabe cantar. Mesmo assim Gustavo não “quis saber” e deixou Charles Fricks à vontade para cantar da forma que ele quisesse, pois o intuito não era mostrar boa voz, e sim trazer uma pessoa da “vida comum” para aquele personagem. Na coletiva com a imprensa o diretor terminou dizendo: “Eu quis contar uma história de coração, de sentimento”. É uma história leve mas dura ao mesmo tempo, que no final dá uma sensação que o filme vai acabar “pra baixo” mas dá uma reviravolta e saímos bem do cinema.

Minha Geladeira Pensa que é um Freezer

O curta de Pablo Polo veio como ponto de descontração da noite, já que os outros curtas – e o longa – vieram com uma pegada mais crítica. Não que esse também não tenha pontos de críticas – falo em relação à uma determinada cena entre torcidas de futebol. A história é justamente como diz o título: a geladeira do personagem que pensa que é um freezer e sai congelando tudo. Mas vai um pouco além do que podemos pensar.  Até a vida ao redor dela também vai se modificando.

Pablo contou em coletiva que a parte mais complicada da produção foi o roteiro, pois o projeto foi aprovado mas não foi produzido logo de primeira. Essa situação fez com que ele mudasse um pouco sua história. “Eu tive que dar um tempo e quando voltei para ele, tive que atualizar a história e isso me deixou mais ou menos perdido”, diz Pablo.

Apesar da “protagonista” ser a geladeira, todo o destaque vai para o ator Bruno Goya que soube ser bem sensível e soube passar muito bem a ideia do seu personagem. Com Ave Sangria na trilha sonora, a ficção traz uma mistura do real e do surreal. O autor quis mostrar que a relação entre o mágico e o fantástico também pode mudar sua vida.

This is Not a Song of Hope

This is Not a Song of Hope é o filme de Daniel Aragão foi o quarto curta a ser apresentado na noite. Com Christiana Ubach, Ênio D. S. Jr. e Bianca Joy Porte, o filme traz histórias de personagens e suas divergências com a cidade do Recife. Mas ele mostra tudo isso de um jeito bem diferente. Com uma estética singular e com bastante senso crítico.

Para começar, o feminismo vem muito forte. Percebemos logo nos primeiros minutos de curta, quando ele mostra a dura realidade de algumas mulheres em seu dia a dia. Críticas às condições da sociedade pernambucana no meio artístico também fazem parte do roteiro. Ressalto aqui a fotografia de Costa Neto e Cristiano Bivar. É um diferencial. Chega até a conversar – um pouco – com o longa da noite, O Prefeito. Post sobre ele a seguir.

 

Gostou do meu post? Então compartilha!

Carol Cruz

Uma pessoa completamente apaixonada pela cultura (por todo tipo de cultura), uma produtora vidrada pelo mundo do teatro, principalmente dos musicais. Viciada em uma adrenalina de uma produção, seja ela em um ao vivo ou em um evento. Fofurices me encantam mas Caetano também. Escreve culturalmente através deste blog!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *