A terceira noite de curtas do Cine PE

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Raoni Moreno (Os Soberanos diretor de “Soberanos do Congo”), Diego Zon (diretor de “As águas que passam”) e Patrick Tristão (diretor de fotografia do capixaba).

A terceira noite de curtas do Cine PE contou apenas com dois filmes. “Soberanos do Congo” do pernambucano Raoni Moreno e  “Das Águas que Passam” do capixaba – o segundo curta vindo do Espírito Santo – Diego Zon.

Vamos lá, foi mais outro dia de festival onde os filmes “conversavam” entre si. Apesar dos dois serem documentários, eles não tem – muita – ligação entre si. Mas os dois são tão diferentes esteticamente que acabaram equilibrando a noite. Enquanto o Soberanos do Congo fala da cultura afro, do Maracatu e suas tradições em Pernambuco/Olinda, o Das Águas Que Passam mostra a vida dos pescadores (inclusive no “fim” do Rio Doce) naquele lugar. O que eles passam no mar e em sua vila.

Raoni trouxe muita entrevista, voz off – de acordo com uma colega, textão desnecessário – de um texto que o próprio diretor tinha e estava com o desejo de usá-lo, de não desperdiçá-lo. Então convidou o ator e cantor Carlos Ferreira – que seria importante para o próprio Carlos por ele ter uma ligação forte com o movimento – para narrar sua história. Narração que foi intercalada com entrevistas maravilhosas de pessoas que participam do candomblé e de imagens INCRÍVEIS durante grandes festejos na cidade de Olinda, como A Noite dos Tambores Silenciosos e o próprio Carnaval de Olinda.

Para Raoni, o projeto veio a partir de sugestões que ele recebeu de amigos. Ele não é de Maracatu mas tem muitos amigos que fazem parte. “Meu olhar foi um olhar de curioso, então pesquisei muita coisa”. No início ele também tinha dúvidas se o projeto ia funcionar: “No começo eu não tinha esperança que as pessoas iam se interessar.” E funcionou. Funcionou bem.

E sobre o Das Águas Que Passam: tenho certeza que todos ficaram anestesiados depois de assistir ao filme. Cenas belíssimas, de um poder sensorial altíssimo. A palavra sensorial foi até a que o Diego usou para apresentar o curta que quase não tem fala. “Queria que as imagens pudessem falar (…) Foi uma aposta”, afirma o diretor. Os diálogos presentes no filme, são diálogos do próprio dia a dia dos pescadores.

Com uma produção de 2 dias gravando no mar e 6 na vila, o curta já participou de Festival em Berlim: “Foi fantástico! O evento é bem político. Apesar do meu não ser, ele fala de pessoas extintas”, falou Diego sobre a experiência. Enquanto no primeiro filme a trilha fala muito, o silêncio do filme do Diego fala mais ainda.

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Carol Cruz

Uma pessoa completamente apaixonada pela cultura (por todo tipo de cultura), uma produtora vidrada pelo mundo do teatro, principalmente dos musicais. Viciada em uma adrenalina de uma produção, seja ela em um ao vivo ou em um evento. Fofurices me encantam mas Caetano também. Escreve culturalmente através deste blog!

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