And The Oscar goes to…

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Chega de curiosidade, de nervosismo. O grande dia chegou. Hoje o MinC (Ministério da Cultura) anunciou quem será o pré-indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2017. Acho que em nenhum outro ano esta escolha teve tanta repercussão.

O filme favorito à indicação era Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, com todo o merecimento. Mas não sei se todos aqui lembram – acredito que sim – do protesto que a equipe do filme realizou em Cannes deste ano, quando participavam da competição principal do festival. No tapete vermelho e dentro da sala de exibição, a equipe levantou cartazes e faixas contra o Impeachment, que viria acontecer no Brasil alguns meses depois, e ao Governo do, na época, Presidente Interino. Após esta situação, apoiadores do novo governo se mostraram contra esta atitude e, digamos assim, contra o próprio filme sem ainda ter visto.

De lá para cá, Aquarius ficou na corda bamba se seria ou não o indicado à concorrer à seleção de melhor filme estrangeiro do Oscar. Jurados da Comissão Especial deixaram o cargo, filmes com inscrições feitas também saíram da competição para dar apoio ao filme pernambucano. “Este é o ano de Aquarius”, disse Anna Muylaert ao se desligar da concorrência com seu filme Mãe só há uma. Não só ela mas Gabriel Mascaro diretor do filme Boi Neón também foi outro nome que desistiu de concorrer com sua produção.

O filme A Hora da Vez de Augusto Matraga, do diretor Vinícius Coimbra, foi eliminado da competição por ter tido sua estreia no circuito comercial antes do período exigido pelo MinC (de 1º de outubro de 2015 à 30 de setembro de 2016).

Então, a Comissão ficou formada por estes nomes:

Adriana Scorzelli Rattes, Bruno Barreto, Carla Camurati, George Torquato Firmeza, Luiz Alberto Rodrigues, Marcos Petrucelli, Paulo de Tarso Basto Menelau, Silvia Maria Sachs Rabello e Sylvia Regina Bahiense Naves.

E a lista de filmes por estes:

“A Despedida”, de Marcelo Galvão
“Mais Forte que o Mundo”, de Afonso Poyart
“O Outro Lado do Paraíso”, de André Ristum
“Pequeno Segredo”, de David Schurmann
“Chatô – O Rei do Brasil”, de Guilherme Fontes
“Uma Loucura de Mulher”, de Marcus Ligocki Júnior
“Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho
“Nise – O Coração da Loucura”, de Roberto Berliner
“Vidas Partidas”, de Marcos Schetchman
“O Começo da Vida”, de Estela Renner
“Menino 23: Infâncias Perdidas no Brasil”, de José Belisario Cabo Penna Franca
“Tudo que Aprendemos Juntos”, de Sérgio Machado
“Campo Grande”, de Sandra Kogut
“A Bruta Flor do Querer”, de Andradina Azevedo e Dida Andrade
“Até que a Casa Caia”, de Mauro Giuntini
“O Roubo da Taça”, de Caito Ortiz

 

E o grande escolhido foi…

Apesar de Aquarius ser – como já falei MUITAS vezes – um filme INCRÍVEL, que mostra uma força que só o filme tem. Que Traz uma mulher de garra, que luta pelos seus ideais, que traz consigo memórias de uma vida bem vivida, memórias de uma mulher forte. Que é uma crítica à nossa sociedade em forma de filme. Que fala muita coisa que nós – meros componentes desta sociedade – não temos coragem de falar. Que tem quase três horas mas que você não sente o tempo passar pois a sua trilha, que constrói a história de Clara (Sonia Braga), te envolve do começo ao fim. Apesar de Aquarius não ser só Aquarius, ele NÃO FOI O ESCOLHIDO.

O escolhido foi PEQUENO SEGREDO, de David Shurmann, que estreia só em novembro. A produção estava entre as preferidas dos críticos mas Aquarius ainda era o mais aguardado, esperado e desejado nome que o Ministério da Cultura poderia ter anunciado. O longa Pequeno Segredo é baseado em uma fato real, que conta a emocionante história de uma menina e três mulheres que compartilham um segredo que mudará suas vidas.

Triste – muito triste – por Aquarius mas curiosa para ver essa produção que desbancou um filme com o porte daquele tamanho que o pernambucano tem.

Confira o trailer Pequeno Segredo, primeiro longa de David:

 

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Carol Cruz

Uma pessoa completamente apaixonada pela cultura (por todo tipo de cultura), uma produtora vidrada pelo mundo do teatro, principalmente dos musicais. Viciada em uma adrenalina de uma produção, seja ela em um ao vivo ou em um evento. Fofurices me encantam mas Caetano também. Escreve culturalmente através deste blog!

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