#CinePE2016! Os curtas que animaram a primeira noite de festival

As coletivas do Cine PE tem entrada gratuita para o público e acontece no Hotel 7 Colinas em Olinda. Foto:Daniela Nader/Divulgação.
As coletivas do Cine PE tem entrada gratuita para o público e acontece no Hotel 7 Colinas em Olinda. Foto:Daniela Nader/Divulgação.

Como já comentei por aqui, o primeiro dia do Cine PE foi de casa lotada. Também já falei minha opinião sobre os curtas apresentados na mostra competitiva mas não falei sobre o que foi dito durante a Coletiva de Imprensa realizada no dia seguinte.

Os dois filmes, não só eu acho mas outros colegas também comentaram isso, tinham “ligações”. Os dois tinham tinham como personagens principais uma pessoa ligada à arte, ou seja, são filmes difíceis de produzir. E como o próprio Walter Carvalho, diretor do Paulo Bruscky comentou: “Poeta e artista dão no mesmo. (…) E fazer um filme sobre um artista visual é um problema muito sério. (…) O cinema é uma espécie de linguagem mas o artista já tem a sua.” Então, foi justamente este dilema que Walter diz passar no documentário onde é “narrado” uma história “sem delongas” sobre a vida e a carreira do artista plástico.

Walter Carvalho explicando o processo de construção do filme com o storyboards na mão. Foto:Daniela Nader/Divulgação.
Walter Carvalho explicando o processo de construção do filme com o storyboards na mão. Foto:Daniela Nader/Divulgação.

No post anterior também comentei sobre estética meio desconstruída, e foi justamente isso que chamou a atenção dos outros jornalistas. Quando perguntaram sobre a pós-produção, Walter respondeu: “a pós produção foi zero. Não teve pós produção”. Claro que ele fala isso em relação aos efeitos visuais. Mas afirma que durante as gravações tinham “regras básicas” como: não mexer na câmera. Ele nem dava o “rec” nela, era a partir de um fio. Enfim, tudo muito estático, assim, conseguiram chegar no resultado final.

Ele ressalta também características sobre Paulo que ajudaram a construir o doc. Como ele normalmente se mistura com a realidade para extrair algo dela, sabendo disso, Walter fez o mesmo com o Paulo em uma das cenas. Pediu para que ele construísse uma tela – literalmente – de dentro para fora. E o resultado ajudou – e muito – na montagem do filme.

Para terminar, Walter fala da cena da caixa. Cena em homenagem ao Paulo que na época da ditadura chegou a escrever poemas e mais poemas, colocá-los dentro de uma caixa e jogá-la no Rio Capibaribe. Logicamente o governo achou, leu os poemas e torturou e exilou o artista. Sabendo disso, quando você for ver o filme, saiba da importância que tem a cena para “o  personagem”. “Foi uma forma de devolver aquela caixa ao Paulo”, afirma Walter. Outro momento do filme ressaltado por Walter, é quando ele mostra de forma “diferente” que Bruscky sempre esteve andando pra frente, mesmo naquela época.

Tauana Uchôa conversando sobre o filme "Não tem só mandacaru". Foto:Daniela Nader/Divulgação.
Tauana Uchôa conversando sobre o filme “Não tem só mandacaru”. Foto:Daniela Nader/Divulgação.

Falei, falei, falei de Paulo Bruscky e agora passo a vez para Não Tem Só Mandacaru, filme que abriu o CinePE 2016 contando a história da relação dos Jovens de São José do Egito com o poema. Particularmente, o filme me tocou pois é bonito esse contato que o jovem tem mais cedo com a arte. E saber que tem uma cidade que é toda influenciada por poetas, que tem uma festa específica para seus poemas, e que os jovens se movimentam para ajudar na realização de um evento como esse, é lindo. É lindo saber  que o jovem tem esse contato com processos culturais. E foi justamente o que a diretora, Tauana Uchôa, destacou: “Jovens não foram para ficar na rua, parados, sem fazer nada (…) Principalmente em São José que tem uma cultura forte”. Então, veio a ideia de Tauana, que foi mostrar São José do Egito e sua cultura forte de poemas e ao mesmo tempo homenagear o poeta Louro do Pajeú.

São dois filmes que compartilham muito entre si. Duas histórias que se completaram em um mesmo dia de festival.

 

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Carol Cruz

Uma pessoa completamente apaixonada pela cultura (por todo tipo de cultura), uma produtora vidrada pelo mundo do teatro, principalmente dos musicais. Viciada em uma adrenalina de uma produção, seja ela em um ao vivo ou em um evento. Fofurices me encantam mas Caetano também. Escreve culturalmente através deste blog!

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