E o Kikito 2016 vai para…

Os grandes premiados da 44º Festival de Cinema de Gramado. Foto: Edison Vara/Pressphoto.
Os grandes premiados da 44º Festival de Cinema de Gramado. Foto: Edison Vara/Pressphoto.

Na noite do último sábado (3), foi realizada a premiação mais elegante do cinema brasileiro, a premiação do Festival de Cinema de Gramado. Com uma apresentação comandada pela apresentadora Renata boldrini, pelo ator Leonardo Machado e Marla Martins (vou ser sincera, no começo senti falta de algum TP para eles acompanharem pois ler dalha foi algo que deu uma complicaçãozinha no início), os que estavam presentes e os que acompanhavam o evento pelo AO VIVO do Canal Brasil (como a minha pessoa! Obrigada Canal Brasil por ser sempre lindo!) conheceram os grandes premiados da 44ª edição do Festival de Cinema de Gramado.

O evento foi uma mistura linda de gratidão e política. Gratidão por parte dos realizadores que ressaltaram inúmeras vezes a forma carinhosa com que a produção cuidou deles durante esta semana em Gramado. E Política pelo palco do Festival ter sido um palco para protestos políticos. Teve gritos de todos os lados ideológicos. Teve democracia. Afinal, nós temos o direito de falar o que pensamos, não é mesmo?

Mas voltando para os premiados da noite. O destaque foram os filmes brasileiros O Roubo da Taça, de Caíto Ortiz, e “Barata Ribeiro, 716”, de Domingos de Oliveira, que levou para casa dois dos prêmios mais importantes da noite: Melhor Filme e Melhor Diretor na categoria Longa Metragem brasileiro. Elis, de Hugo Prata, também levou para casa três estatuetas, assim como O Silêncio do Céu, de Marco Dutra. Tamo Junto, de Matheus Souza, foi muito elogiado pela a crítica mas não levou nenhum Kikito. E El Mate, do diretor Bruno Kott, levou apenas um prêmio de melhor ator coadjuvante.

Um outro prêmio que também já era super esperado, era o de melhor atriz. Segundo a própria Simone Zuccolotto (apresentadora do Canal Brasil), teve um jornalista que falou durante a coletiva de imprensa do filme que: “caso Andréia não ganhe o prêmio de melhor atriz, vai ser golpe.” E neste caso não foi golpe. Andreia levou para casa o Kikito de Melhor Atriz pela sua interpretação arrebatadora de Elis. Filme que estreia logo mais – em novembro – no circuito brasileiroo. Eu, sinceramente, estou extremamente curiosa para assistir. Já estava curiosa se Andréia realmente tinha se dado 100% – ou quase – para esta personagem que é tão incrível e que marcou a música popular brasileira. Mas pelo o que eu senti, li, e ouvi, ela se deu 100% sim para a grande Elis.

Lembrando que o Festival não só era composto por longas brasileiros, mas também tinha curtas gaúchos, curtas brasileiros e longas estrangeiros. Cada um teve sua mostra específica com seus prêmios específicos. A Mostra de Curtas Gaúchos realizou sua premiação com três dias de festival. Confira aqui quem foram os premiados.

Lembrando 2… Algumas das categorias apresentadas contou com depoimentos de mestres de cada setor do mundo cinematográfico. Por exemplo, no prêmio de Melhor Montagem, o diretor de fotografia Giba Assis deu seu depoimento reproduzido no telão do festival antes da premiação da categoria.

Mas vamos ao que interessa. Vamos aos premiados…

E o Kikito vai para…

Melhor Fotografia

Mostra Curta Brasileiro

Bruno Polidoro por Horas.

Mostra Longa Estrangeiro

Andrés Garcês por Sin Norte

Mostra Longa Nacional

Ralph Strelow (Mulher Invisível) por O Roubo da Taça.

Prêmio Especial do Júri para Curtas Brasileiros

Para Elke Maravilha, pelo filme Super OldBoy e pela carreira que ela fez no cinema, na atuação/dramaturgia brasileira. Inclusive, a diretora do curta, Eliane Coaster, ressaltou que Elke faz muita falta e disse: “A gente está precisando de contribuições criativas, democráticas.” Mostrando o tamanho da perda que tivemos há algumas semanas.

 Maria Alice Vergueiro – Atriz sensacional que está no filme Rosinha. Apesar do tempo que ela tem de atuação, o Kikito foi a conquista do seu terceiro prêmio no cinema. Se você não conhece ela, você ACHA que não conhece, pois sabe o famoso vídeo Tapa na Pantera? Então…

Melhor Trilha Sonora

Quem abriu a categora foi o craque em Trilha Sonora, responsável por grandes produções, o grande Antônio Pinto.

Curta Brasileiro

 Kito Siqueira por Super OldBoy

Longa Brasileiro

Domingos Oliveira por Barata Ribeiro, 716

Melhor Direção de Arte

A grande diretora de arte Vera Hamburguer foi a responsável por fazer a introdução desta categoria.

Curta Brasileiro

Camila Vieira por Deusa

Longa Brasileiro

Fábio Goldfarb pelo O Roubo da Taça

Prêmio Especial do Júri para Longas Estrangeiros

Esteros, de Papu Curoto, pela maneira que os dois atores mirins trabalharam no filme. “Eles deram muita verdade ao filme”, disse o crítico Roger Lerina durante a transmissão ao vivo do Canal Brasil. Um dos  diretores ainda falou sobre o prêmio: “Capturamos o melhor Pokemón da semana”.

Melhor desenho de som

Curta Brasileiro

Jeferson Bandú por O Ex Mágico. (PE)

Longa Brasileiro

Daniel Turini, Fernando Henna, Armando Torres, Fabian Oliver por O Silêncio do Céu.

Melhor Montagem

Abertura com a fala do montador Giba Assis Brasil.

Curta Brasileiro

André Francioli por Memória da Pedra (BA). No momento, a diretora agradeceu pelos dias em Gramado e pela experiência. Ela não foi a única que fez isso ao subir no palco para receber ao prêmio.

Longa Brasileiro

Tiago Feliciano por Elis.

Melhor Ator Coadjuvante

Longa Brasileiro

Bruno Kott por El Mate. “Fazer cinema, fazer arte, é um ato de coragem, um ato de fé, de amor.” Disse o ator coadjuvante e diretor da produção que foi filmado em apenas 11 madrugadas.

Melhor Atriz Coadjuvante

Longa Brasileiro

Glauce Guima por Barata Ribeiro, 716. “Domingos é um diretor que dá uma liberdade imensa para o ator.” Disse Glauce em seu discurso.

Melhor Roteiro

Fala do Bráulio Mantovani (Cidade de Deus, Tropa de Elite…) foi a responsável por abrir a premiação da categoria.

Curta Brasileiro

Gui Campos por Rosinha. Gui dedicou o prêmio à equipe e à Democracia.

Longa Estrangeiro

Luiz Sorraquin (diretor do fillme) e Simón Franco por Guaraní.

Longa Brasileiro

Luza Silvestre e Caito Ortiz por O Roubo da Taça. Lembro Luiz Zanin (crítico e jornalista de cinema) comentando durante a transmissão que esta premiação foi uma grande surpresa.

Prêmio Canal Brasil de Curtas

Premiação leva o vencedor direto à participação do  Grande Prêmio de Curtas do Canal Brasil, que além de oferecer para o vencedor 50 mil reais para uma outra filmagem, ele ainda exibe o curta no Canal Brasil

E o vencedor foi Rosinha, de Gui Campos.

Melhor Atriz

A mais aguardada da noite, e aquela categoria que seria capaz de ter protesto caso a favorita dos críticos e do público não fosse a grande vencedora do prêmio de melhor atriz da Mostra de Longa Brasileiros.

Para abrir a categoria, a incrível fala de Sônia Braga – que esteve em Gramado no primeiro dia de Festival para receber uma homenagem por seu trabalho feito no nosso cinema –  que no vídeo soltou a seguinte frase (atenção atores, prestem BASTANTE atenção): “O ator sem equipe não vivi. E são eles que nos colocam nessa posição de sermos os representantes do filme”, Sônia Braga.

Curta Brasileiro

Luciana Paes, por Aquele Cinco Segundos.

Longa Estrangeiro

Verônica Perotta (diretora e atriz) por Las Toninas Van Al este

Longa Brasileiro

A grande vencedora do 44º Festival de Cinema de Gramado, Andreia Horta que levou para casa o Kikito de melhor atriz pelo papel de Elis. Foto: Edison Vara/Pressphoto
A grande vencedora do 44º Festival de Cinema de Gramado, Andreia Horta que levou para casa o Kikito de melhor atriz pelo papel de Elis. Foto: Edison Vara/Pressphoto

Andréia Horta por Elis. Que se esforçou – e muito – para este papel. Foram três meses de ensaio mais um de gravação. Ela ainda completou dizendo: “A vida pode ser mais bonita mesmo quando a gente tem coragem (…)  Eu acredito no trabalho e acredito no artista. (…) Preciso agradecer as pessoas que acreditaram que eu podia fazer (…) E ao Nelson Mota que colocou pilha no Hugo Prata para eu ser a Elis no cinema. (…) Foi muito lindo entregar Elis na terra dela, o sul.” E finalizou ecoando a voz e dizendo: “O que é pra ser tem força mesmo.” E que o ofício dos atores é uma declaração de amor à realidade (neste momento não teve como conter a emoção). “É tempo de luz, vamos agradecer.” E foi fortemente aplaudida.

Melhor Ator

Para a abertura da categoria uma fala de outro homenageado do Festival: o ator Tonny Ramos.  Ele soltou o verbo e disse: “O que me inspirou sempre à ser ator foi a vontade viver aquelas fantasias todas”.

Curtas Brasileiros

Allan Souza Lima, pelo filme “O Que Teria Acontecido ou Não Naquela Calma e Misteriosa Tarde de Domingo no Jardim Zoológico”.  Allan também é o diretor do curta junto com Gugu Cerpe.

Allan comentou sobre a fala da amiga de trabalho, Sônia Braga (amiga com quem dividiu a cena em Aquarius, de Kleber Mendonça Filho) e disse bastante emocionado: “E o que a Sônia falou é o que eu levo comigo. Cinema não se faz sozinho. Acima de tudo, é uma equipe.” O filme que era peça e que virou curta, logo se tornará um longa.

Longa Estrangeiro

Emílio Barreto por Guaraní.

Longa Brasileiro

Paulo Tiefenthaler pelo trabalho no O Roubo da Taça.

Paulo não só agradeceu ao Caio Hortiz (diretor do filme), como também agradeceu aos seus companheiros de trabalho que estavam concorrendo ao prêmio com ele, como o ator Caio Blat. Ele também comentou sobre o a equipe do filme que estava muito unida e que o trabalho tinha sido de muito intenso.

Melhor Direção

Abertura com a fala do enorme diretor Bruno Barreto: “Dirigir o ator é o que eu mais gosto. Faço cinema de ator e não de autor.”

Curta Brasileiro

Felipe Saleme por Aqueles 5 segundos.

“A única coisa que eu posso dizer é que foi uma honra trabalhar com a equipe desse filme. (…) Agradecer demais o carinho que Gramado tem com a gente. Obrigada pela honra de compartilhar com vocês este aprendizado dessa semana.” Disse Felipe Salame.

Longa Estrangeiro

Fernando Lavanderos pelo filme  “Sin Norte”.

Longa Brasileiro

Domingos de Oliveira foi o vencedor na categoria melhor diretor do Festival de Cinema de Gramado pelo filme Barata Ribeir, 716. Foto: Edison Vara/Pressphoto
Domingos de Oliveira foi o vencedor na categoria melhor diretor do Festival de Cinema de Gramado pelo filme Barata Ribeir, 716. Foto: Edison Vara/Pressphoto

O grande mestre, Domingos de Oliveira, foi o grande diretor da noite. Domingos ganhou o prêmio pela sua direção no filme Barata Ribeiro, 716, mas sabemos que com 80 anos ele já tem inúmeras e incríveis produções feitas.

Domingos fez questão de relatar algumas frases para agradecer, e eu anotei algumas delas: O prazer do trabalho é o seu próprio pagamento. (…) Como cineasta eu tenho a idade do Caio, que não é meu ego, é meu alter ego (…) O filme narra um ponto da minha vida em que eu estava casado. (…) O cinema é um bisturi afiado, que chega a onde nenhuma outra arte chega. A não ser a música, claro. (…) O cinema é uma celebração, é aqui que a força da vida comemora sua vitória. (…) Devíamos substituir o nome filme de arte por filme útil (…) Filmes comerciais devem existir como infra estrutura dos curtas com utilidade (…)  Festivais devem existir para que as pessoas possam ouvir coisas que precisam ser ditas sem medo. (…)

E assim ele foi soltando inúmeras frases/lições de vida.

Ele ainda completou com a frase: Festival de Gramado, até ano que vem, sem falta! (F O F O)

Prêmio Especial do Júri

Longa Brasileiro

 O Silêncio do Céu, de Marco Dutra e Rodrigo Teixeira.

Prêmio Especial do Júri

Curta  Brasileiro

Lúcida. O diretor do filme, Fábio Rodrigo, ressaltou a importância de acreditar nos sonhos: “Se tiver um pretinho, sentado aí do seu lado, só sonhando com cinema, eu espero que ele acredite, pois um dia o mundo irá lhe ver”.

Longa Estrangeiro

Sin Norte, Luis Zorraquín.

Longa Brasileiro

O Silêncio do Céu, de Marco Dutra.

Júri Popular

Um dos mais importantes do festival. O prêmio que tem a voz do povo!

Curta Brasileiro

Super Oldboy. Uma mistura de ficção e animação.

Longa Estrangeiro

Esteros, de Papu Curotto.

Longa Brasileiro

Elis, de Hugo Prata.

Nesta premiação Hugo subiu ao palco e falou algumas coisas que eu gostei de saber : “É uma honra enorme está aqui recebendo este prêmio em Gramado, e do público melhor ainda. (…) Foi muito difícil condensar essa história. (…) Agradeço à Andreia pela sua entrega. E agradeço ao João Macelo, Pedro e Maria Rita pela confiança total que me deram (…) Para finalizar a categoria vou parafrasear Simone Zuccolotto que falou a seguinte frase sobre o filme “Elis”: “Este prêmio é um excelente termômetro para a chegada do filme no Circuito comercial”.

Melhor filme

Curta Brasileiro

Rosinha, de Gui Campos.

Vale ressaltar que quando a equipe subiu ao palco, eles chamaram outros amigos para também subir e trazer faixas contra o Golpe e à favor da democracia. Neste momento que o crítico Roger Lerina fez novamente uma citação: “Festival de Gramado sempre foi um palco político”. Em seguida Gui ainda comentou: “Não é defesa de nenhum partido político”.  Gui, durante o agradecimento, ainda comentou e agradeceu a sua equipe: “Se o diretor é o maestro, quando nós temos grandes músicos tocando fica fácil”.

Longa Estrangeiro

Guaraní, de Luis Sorraquin.

Que também foi uma equipe que agradeceu o carinho que a produção do festival teve com eles.

Longa Brasileiro

Equipe do filme "Barata Ribeiro, 716", o grande vencedor da noite, que levou para casa 4 Kikitos, entre eles o de melhor filme e o de melhor diretor para Domingos de Oliveira. Foto: Cleiton Thiele/Pressphoto
Equipe do filme “Barata Ribeiro, 716”, o grande vencedor da noite, que levou para casa 4 Kikitos, entre eles o de melhor filme e o de melhor diretor para Domingos de Oliveira. Foto: Cleiton Thiele/Pressphoto

Barata Ribeiro, 716, de Domingos de Oliveira.

Apesar de já ter inúmeros sucessos (seja no cinema ou teatro), esta foi a primeira vez que o diretor Domingos de Oliveira ganha o prêmio de melhor filme. Agora, separei mais uma frase do grande Domingos para finalizar o post: “Eu estou realmente muito feliz”. A Renata Pascoal, a produtora do filme, também falou algumas palavras que tocou Domingos: “Obrigada Domingos, foi você que me colocou nesta profissão.” E para finalizar, o diretor que completa 80 anos na próxima semana falou: “A vida é uma coisa curtíssima.” E com isso, ele finalizou o discurso contando de 1 até 80 para mostrar como a vida realmente é curta.

A cerimônia foi linda, foi tudo lindo. Só basta agora esperar os filmes entrarem em circuito para a gente assistir e conferir todas essas histórias que “só” receberam elogios durante o Festival.

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Carol Cruz

Uma pessoa completamente apaixonada pela cultura (por todo tipo de cultura), uma produtora vidrada pelo mundo do teatro, principalmente dos musicais. Viciada em uma adrenalina de uma produção, seja ela em um ao vivo ou em um evento. Fofurices me encantam mas Caetano também. Escreve culturalmente através deste blog!

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