“Lou” e a independência, a força e o poder de uma mulher.

Cena do filme “Lou”, que traz a história da filósofa Lou Andreas-Salomé. Foto: Divulgação.

Nesta quinta-feira (11), estreia (em algumas cidades do Brasil) “Lou”, da alemã Cordula Karblitz-Post. A produção é o primeiro longa da diretora alemã, que escolheu contar a vida da filósofa Lou Andreas-Salomé na sua estreia. Com o roteiro escrito pela própria diretora junto com Susana Hertel, o filme tinha que exalar o poder e a força de uma mulher à frente do seu tempo.

E a jovem e lutadora Lou, interpretada pela atriz Liv Lisa Fries. Foto: Divulgação.

Lou, que nasceu na Rússia no século XVIII e fez revolução na passagem para o século seguinte, se mudou para a Alemanha, onde vivou por todo o resto da sua vida e onde conviveu com grandes estudiosos, filósofos, pensadores e psicanalistas, e seguiu sua vida didática respeitando a promessa feita logo quando jovem que não se relacionaria com nenhum homem. Os estudos da mente humana e das relações interpessoais eram mais importantes do que qualquer outra coisa. Mas o filme não só mostra essa mulher dedicada ao seu objetivo, o filme mostra uma mulher forte, corajosa, que não liga para o que a sociedade vai pensar, que a sua felicidade e realização está à frente de qualquer coisa, de qualquer pessoa.

Vamos relembrar: século XVIII para o século XIX, época onde a mulher no mundo das pesquisas, no mundo didático, era bastante julgada. E se não casasse era mais uma enorme falação. Passei o filme todo me perguntando “por que eu nunca escutei falar sobre ela?”. Por falta de filosofia, antropologia, sociologia no colégio e nas faculdades não foi. Cade Lou no ensino médio? Cade Lou em variadas cadeiras das faculdades de comunicação. É certo que quase todo o seu material está perdido (não contarei muito sobre, pois seria um grande detalhe do filme), mas ninguém sabia sobre? Ninguém sabia sobre essa mulher que mudou a vida dos “grandes pensadores” que tanto estudamos? Paul Rée, Friedrich Nietzsche, Sigmund Freud e Rainer Maria Rilke foram alguns dos estudiosos, filósofos, psicanalistas e escritores que Lou influenciou na vida pessoal e acadêmica. Fracos esses nomes, não? Então, cade o nosso conhecimento sobre essa mulher de pulso e de garra?

Quando terminei de assisti-lo, estava tão feliz. Tão feliz. Lou foi além. Lou sofreu e seguiu em frente. Lou foi julgada e seguiu em frente. Lou foi questionada e seguiu em frente. Lou foi perseguida e tentou seguir. Saindo vitoriosa ou não, Lou sempre tentava. Sempre lutava. Fiquei feliz em ver que existiu uma mulher como ela, naquela época tão difícil para liberdade feminina, principalmente em relação ao trabalho e à independência. Como mulher, fiquei feliz em conhecer Lou. Espero que possa também ser uma Lou e continuar sempre à luta dos meus objetivos sem ninguém dizer o que é ou não é melhor para mim.

Se você – seja mulher, seja homem – não conhece ou se já conhece Lou, corra para os cinemas e veja essa linda obra de arte.

Katharina Lorenz e Julius Feldmeier vivendo Lou e Rainer Maria Rilke. Foto: Divulgação.
Katharina Lorenz em cena como Lou dividindo a cena com Alexander Scherr, que interpreta Friedrich Nietzsche. Foto: Divulgação.
Nicole Heester no papel de Lou na fase mais velha. Foto: Divulgação.

 

 

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Carol Cruz

Uma pessoa completamente apaixonada pela cultura (por todo tipo de cultura), uma produtora vidrada pelo mundo do teatro, principalmente dos musicais. Viciada em uma adrenalina de uma produção, seja ela em um ao vivo ou em um evento. Fofurices me encantam mas Caetano também. Escreve culturalmente através deste blog!

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