#MostraSP! Os primeiros filmes vistos pelo blog…

E a primeira experiência na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo chegou! O blog não está todos todos os dias, mas está vendo o que pode da 41ª Mostra. São mais de 395 filmes, diversas salas de cinema, diversos horários, duas semanas e meia – quase três – de exibições (a primeira começando normalmente às 13h e a última às 21h ou 22h).

Começamos a assistir aos filmes no último dia 22, um domingo. Foram três exibições vistas em um dia: Zama, de Lucrécia Martel (co-produção Argentina, Brasil, Manuel, de Dário Martini (Itália) e Antes que eu me esqueça, de Tiago Arakilian (Brasil). Digo que foi um dia diverso em estilo, em nacionalidades e em – quase – tema. “Quase” porque dois dos filmes considero que tem um ponto de ligação.

O filme de Lucrécia Martel foi uma produção que não me agradou muito, mesmo sendo o filme argentino que está concorrendo ao prêmio de filme estrangeiro do Oscar. A história é inspirada na novela homônima de Antonio di Benedetto, Daniel Gimenez Gancho interpreta Zama, assessor oficial da Coroa Espanhola, que está “confinado” em terras da América do Sul, no aguardo de uma carta do Rei que autorizaria a saída para um lugar melhor ou para voltar para a sua cidade. Em um determinado momento, soltaram a denominação “O Senhor da Solidão”, e é com essa adjetivação que podemos definir o personagem central da história.  É um desespero que ele sente para sair daquele lugar, um grande sonho que um dia essa carta chegue.

O formato do filme não é dos mais naturais. Com um toque de “surreal” ou de “fantástico” (ou ainda de improvável), a história mostra a cada minuto como é difícil se adaptar e se apropriar de uma nova cultura. Quando você chega à um lugar novo, você vem com uma cultura pré-determinada de um outro espaço, de uma outra sociedade. Nesse caso, basta você se adaptar politicamente à essa nova vida. É como já dizia o estudioso Alain Finkielkraut, em suas pesquisas sobre cultura e propriedade cultural.

Pelo menos foi essa visão que tive do filme, mas não sei se era a ideia principal. É uma narrativa confusa, mas que ao mesmo tempo conseguimos puxar um assunto que questionável. (nossa, até eu fiquei confusa na minha explicação). Ah! Não posso deixar de falar sobre a participação de Matheus Nachtergaele, que surge – apenas surge – como um “vilão”, um vilão de uma outra tribo. E lá vem  outra cultura que conversa com Zama.

O italiano “Manuel” já traz uma temática com mais clareza. Um filme frio na estética e na história, traz o drama do jovem Manuel. Ele acaba de fazer seus 18 anos e a sair do lar adotivo onde mora. Sua mãe está presa, mas tem a chance de conseguir a prisão domiciliar, mas para isso acontecer, Manuel tem que se mostrar que virou um homem independente e responsável. Para isso, conta com os conselhos de seu advogado, com a vontade de ajudar a mãe e com bons conselhos de algumas outras pessoas que conhece durante todo processo.

Essa temática de filhos cuidando dos pais, filhos responsáveis pelos pais, conversa em outras exibições que tenho visto na 41ª Mostra. Enquanto Manuel mostra toda essa história de maneira intensa, carregada de drama, de “frieza” (para isso o diretor trabalha com uma direção de arte e de foto fria, geladas, azuladas), de um jovem de apenas 18 anos com uma responsabilidade de adulto, o filme “Antes que eu me esqueça”, de Tiago Arakilian, também traz essa temática de filhos responsáveis pelos pais, mas com um toque de comédia e com muita emoção.

O filme, que teoricamente pode ser visto como uma produção comercial, é também – pode também ser – considerado uma produção um pouco mais “””cult””” ou que faça o público refletir mais sobre o assunto. Gostei muito do filme, tem uns pontos que tenho que ressaltar, uns que gostei e outros que nem tanto, então, farei um texto especialmente para ele. Mas já vou logo adiantando que vale o ingresso!

Então, é isso. No próximo posts mais detalhes das produções vistas durante a semana!

Para conferir a programação completa da Mostra só é clicar aqui.

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Carol Cruz

Uma pessoa completamente apaixonada pela cultura (por todo tipo de cultura), uma produtora vidrada pelo mundo do teatro, principalmente dos musicais. Viciada em uma adrenalina de uma produção, seja ela em um ao vivo ou em um evento. Fofurices me encantam mas Caetano também. Escreve culturalmente através deste blog!

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