#MostraSP! Sobre o segundo dia de quatro…

Por alguns motivos pessoais (leia-se de trabalho), só acompanharei quatro dias da Mostra. Estou em pleno terceiro dia, esperando para o segundo filme deste domingo (29) e escrevendo ainda sobre a última segunda (23), onde assisti três filmes: o finlandês “Pequenas Asas”, de Selma Vihuhunen, o argentino “Não se esqueça de mim”, de Fernanda Ramondo, e o brasileiro “Gabriel e a Montanha”, de Fellipe Barbosa.

Foi um dia bem variado na nacionalidade e no roteiro. Ou seja, um dia bom! Se for para relacionar algum, relacionaria “Pequenas Asas” com o italiano “Manuel”, comentado no post anterior. No filme de Selma Vihuhunen, conferimos a vida da jovem Varpu, que tem 12 anos, mas já tem responsabilidade de adulto. A pequena quase adolescente mora com a mãe Siru, uma adulta que precisa mais dos cuidados e do carinho da filha do que a filha precisa dela. Percebemos isso logo no começo do longa, onde Varpu torce e dar todo o apoio às milhares de tentativa que sua mãe passa para tirar a própria carta de motorista. As duas brigam por conta do pai desconhecido de Varpu, a pequena acaba fugindo de carro (sim, ela aprende a dirigir antes da própria mãe) para ir atrás do seu sangue paterno. SPOILER Ao achar, descobre um homem que precisa muito dela quando sua mãe. É uma menina de força, com uma cabeça “incrível”, e graças à essa grande mentalidade, ela está pronta para viver completamente a sua vida.

É um filme sensível, muito bem dirigido, com um roteiro de emocionar. É para fazer você pensar em quantas “Varpu” existem por aí. Em quantas crianças com responsabilidade de adulto tem por aí. O mais legal, é que nem por isso a infância dela foi totalmente perdida. O filme vale cada minuto, mas nem por isso está perto de ser o melhor da Mostra.

Vamos agora falar o argentino. Não sei o porquê (como se fosse difícil responder esse questionamento), mas acho que estou ficando realmente apaixonada pelas películas argentinas. Em “Não se esqueça de mim”, da diretora Fernanda Ramondo, com o grande nome do cinema Leonardo Sbaraglia, vi uma narrativa que mistura mistério, “romance” – um encantamento e começo de um amor – e ação. No longa, também escrito pela diretora, conhecemos a história de Mateo, um ex-presidiário anarquista, que começa uma viagem na sua caminhonete velha, acompanhado de galinhas roubadas. O objetivo inicial seria achar o seu antigo galo “El Rey”, e, talvez, voltar aos ringues das “brigas de galo” com o animal que fazia sucesso, mas, no meio do caminho, encontra os irmãos Aurelia, vivida por Cumelia Sanz, e Carmelo, feito por Santiago Saranite, que estão à procura do pai. Claro que um envolvimento entre Aurelia e Mateo seria esperado. No final, nada fica tão claro, mas é o final dentro da história não é algo muito difícil de pesar.

Os atores estão envolventes, a direção é linda. Você se prende nessas história, que, por um lado, é um pouco óbvia, mas é divertida de acompanhar. Você passa a torcer pelos personagens sem sentir. Posso usar aquela frase que adoro: o filme flui.

Para finalizar o dia, um brasileiro. Ai meu cinema brasileiro, como você é lindo! Como você vai me conquistando a cada novo longa. O segundo nacional da mostra que assisti foi “Gabriel e a Montanha”, de Fellipe Barbosa, com o ator João Pedro Zappa no papel principal. O longa é baseado em fatos reais e traz a história de Gabriel Burchmann, um jovem que resolve fazer uma longa viagem pela África antes de ingressar à uma universidade americana de grande prestígio. Foram dez meses de viagem, até chegar no Quênia, onde chega no seu último destino que foi o Monte Mulanje.

A história é forte. Muito forte. Não em imagens, mas em drama. A mãe do Gabriel – da vida real – estava presente na exibição, assim como em várias outras exibições que o longa teve em diversos festivais (como a primeira exibição que foi no Festival de Cannes), e não faço ideia como fica o coração dela ao ver o filme. Imagino que traga uma “tristeza” (ou saudade), mas ao mesmo tempo traz uma alegria ao ver a história do seu filho, tão aventureiro e que viveu intensamente essa vida, na grande tela. Imagino que seja uma mulher de uma enorme força. É um filme de emocionar e de prender o fôlego.

O roteiro é todo feito baseado no diário/caderno que o Gabriel escreveu durante a viagem, com os relatos da namorada Cris, vivida pela atriz Caroline Abras, que passou um tempo com ele na África, e com os relatos dos guias, dos africanos, dos turistas, com quem o jovem cruzou durante toda essa aventura. O interessante é que – acho que – quase todas essas pessoas interpretaram elas mesmas. Foi escolha do diretor, e foi uma linda escolha. Apesar do lindo roteiro feito pelo próprio diretor, Lucas Paraizo e por Kirill Mikhanovski, pela bela e delicada direção, pela lindeza da atuação dos atores, pela fotografia maravilhosa, o filme tem 2h11. É um pouco longo, e conseguiu me cansar um pouco. Para alguns dos meus amigos de crítica, ele tem o tamanho certo. Realmente, se for para escolher alguma coisa para cortar, não sei o que escolheria. Não teria como cortar nada. Talvez tenha sido cansaço do dia mesmo. Apesar disso, continuo AMANDO o filme e a história. Densa, mas linda!

 

 

 

 

 

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Carol Cruz

Uma pessoa completamente apaixonada pela cultura (por todo tipo de cultura), uma produtora vidrada pelo mundo do teatro, principalmente dos musicais. Viciada em uma adrenalina de uma produção, seja ela em um ao vivo ou em um evento. Fofurices me encantam mas Caetano também. Escreve culturalmente através deste blog!

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