O fragmentado “BIO”, de Carlos Gerbase

O filme “BIO”, de Carlos Gerbase, foi o primeiro longa que vi, aqui no 45º Festival de Gramado. A produção sulista traz a história de “ele”. Sim, “ele”. O personagem sem nome, que “não aparece”, menos em um take ainda bebê, é um homem que viveu 101 anos, que teve quatro famílias e que fez descobertas científicas importantes. Realmente, o que está dito na sinopse é o que é mostrado na telona. Mas… é um filme bem cansativo. Com 20 minutos de sessão, fui ver quanto tempo ele tinha para poder me “preparar” psicologicamente. Posso estar sendo bruta falando isso, mas realmente essa foi a minha primeira impressão.

Na apresentação do filme, na noite de exibição, o palco lotou. Uma equipe enorme tomou conta do Palácio dos Festivais e, para a nossa surpresa, 39 deles eram personagens. Para aumentar essa nossa surpresa, no filme, nenhum dos personagens contracenam um com o outro. Foi o que Maitê Proença falou, me chocando e me deixando bastante curiosa para saber como isso aconteceu.

Enfim, o filme começou e essa minha curiosidade acabaria logo logo.

Considerado pela produção um “documentário falso”, um “documentário impossível”, o filme traz 105 minutos de diversas falas, depoimentos, de personagens que conviveram com esse “ele”. Realmente, não temos nenhum ator contracenando um com o outro.

Entre os 30 atores estão: Maria Fernanda Cândido, Werner Shünemann, Sheron Menezes, a própria Maitê, Tainá Müller e Branca Messina. Essas duas últimas estavam na coletiva e comentaram sobre o prazer que foi participar do filme com um roteiro tão diferente. Branca estava tão ansiosa para a gravação do filme, que chegou – sem querer – um dia antes.

Equipe do filme durante a coletiva de imprensa. Crédito: Diego Vara / Pressphoto.

Outra fala dita no palco, na noite de exibição, mas dessa vez pela produtora Luciana “Luli” Tomasi (esposa do Gerbasi), que chamou minha atenção e a de todos os jornalistas, foi quando ela comentou que os atores não ganharam o tanto que mereciam pelo tamanho da verba do filme. Claro que todos ficaram na curiosidade de saber quanto tinha custado esse longa. Na coletiva, realizada hoje (25), Luli fala dos 600 mil reais. Isso. Foram 600 mil reais para pagar toda a equipe, a produção, os 39 atores e os diversos objetos de cenografia e figurino, os dois itens que percebemos que realmente foram os que mais deram “trabalho”. Ah! E os direitos de algumas músicas, que compõe o roteiro do filme. Realmente, um valor pequeno comparado com outros filmes que chegam à um orçamento bem maior.

O cenário e o figurino são dois itens que realmente tinham que ser bem planejados, pois, graças a eles, o filme decorreu. Como o próprio diretor falou: “tive que desenvolver cada detalhe no roteiro, para depois a direção de arte e o figurino darem vida à história”. Gravado em um único espaço, cada personagem teve apenas uma diária e um cenário, ou seja, por isso esse cuidado com os detalhes que fizeram a diferença da produção.

Carlos Gerbase, diretor de “BIO”, durante a coletiva de imprensa. Crédito: Diego Vara / Pressphoto.

O roteiro é – super – fragmentado, que faz você tentar ligar os pontos de todos os personagens. Para Gerbase, é justamente isso que ele destaca no filme: “essa possibilidade de criar junto com o filme”. Isso também foi destacado por Tainá e Branca, durante a coletiva, que comentaram sobre essa construção em conjunto do filme. “Uma construção de imaginação bem conjunta”, disse Tainá. Gerbase complementou a fala sobre os atores e comentou que os próprios complementaram a construção dos personagens com detalhes e até trazendo ideias de personalidades diferentes. Para mim, essa fragmentação toda foi o que mais me cansou. Cansou muito. Que teve construção em conjunta entre o público e a história, teve. Se funcionou ou não, já não sei.

O filme ainda não tem data confirmada de lançamento.

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Carol Cruz

Uma pessoa completamente apaixonada pela cultura (por todo tipo de cultura), uma produtora vidrada pelo mundo do teatro, principalmente dos musicais. Viciada em uma adrenalina de uma produção, seja ela em um ao vivo ou em um evento. Fofurices me encantam mas Caetano também. Escreve culturalmente através deste blog!

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