O Pequeno Segredo foi desvendado!

Kat

Finalmente desvendei o pequeno segredo. Finalmente.

Depois de muito esperar, o Pequeno Segredo entrou em circuito no Brasil e pude conferir o longa que levou a pré-indicação brasileira à disputa do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Sei que é cansativo começar falando sobre isso, mas não tem como falar do longa de David Shurmann sem falar da indicação. Com certeza ele e Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, foram os filmes brasileiros mais comentados do ano.

Já vi Aquarius (duas vezes <3) e fiquei apaixonada pelo filme. Precisava ver quem tinha sido indicado no lugar do filme do ano. Fui lá e conheci o Pequeno Segredo. Enquanto o pernambucano traz uma trama mais dinâmica, mais ativa, mais crítica, mais ágil, o longa da família Shurmann traz uma história mais emocionante, que enche os olhos de lágrimas, mas em uma narrativa um pouco (pra não dizer muito) mais lenta.

Apesar de ter um roteiro fragmentado (sem começo, meio e fim bem definidos), mostrando as duas fases dos dois núcleos ao mesmo tempo, a narrativa é lenta. Penso que se não tivessem montado o longa desse jeito, ele seria mais lento – imagine! Apesar disso, ele realmente é um bom filme. Pode cansar, mas no final vai fazer você chorar e pensar sobre os valores que você dá às pessoas que tanto te amam e que fazem tudo por você. Pessoalmente o filme me tocou – e muito – trazendo um: “se liga aí no valor que você dá para essas pessoas que te amam incondicionalmente!” e me fazendo refletir sobre.

Apesar de toda essa emoção, só chorei ao ver a dedicatória do diretor para sua irmã Kat, a personagem principal do filme. Ele também dedica o filme à sua mãe Heloísa Shurmann, que também já escreveu sua história e a história da sua filha em um bestseller de mesmo nome. E para aqueles que ainda não sabem, a narrativa é baseada em uma história real, história da própria família de David. Tudo começa quando seus pais conheceram um casal de amigos, Jeanne e Robert, que teve a Kat, e por um motivo específico acabaram adotando a menina. (Esse motivo específico é o maior spoiler do filme).

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O roteiro é bonito, a história é emocionante e os atores estão bem, muito bem. Já desconfiava – pelo tamanho do talento – que a atuação de Júlia Lemmertz iria ser ótima no papel da própria Heloísa. Quando vi o filme só tive a certeza. Mariana Goulart, que faz o papel da pequena Kat Shurmann, a protagonista, soube trazer com uma delicadeza e talento, a ingenuidade incrível e a mentalidade avançada de uma criança de apenas 12 anos como a Kat, que, com pouca idade, já enfrenta seus desafios. A Maria Flor, que tem ótimos trabalhos no seu currículo, fez muito bem o papel da mãe biológica da Kat, a paraense Jeanne. Ela se apaixona pelo engenheiro Robert (Erroll Shand), que é natural da Nova Zelândia, onde o filme também foi rodado. O papel da avó biológica Bárbara, ficou por conta da irlandesa Fionnula Flanagan, que está bem espetacular, com um toque a mais (mais do que o filme já tem) de drama.

Não posso dizer o mesmo de Marcello Antony que interpreta o pai dos Shurmann’s, o pai adotivo da Kat, o Vilfredo Shurmann. Sinceramente? Não consegui sentir nenhuma emoção com ele. Diferente da minha reação ao ver a interpretação da atriz mirim que interpretou amiga de Kat, a Luana (?) – acho que é esse o nome personagem… queria muito citar também o da atriz mas não peguei na hora e não acho em lugar nenhum. Sabe quando a pessoa vem atuando na medida certa, nem muito e nem pouco? Interpretando muito bem uma criança de 12 anos que descobre todo o problema da sua amiga? Pronto. Foi essa atriz nesse filme. (Perfeita a cena da piscina. Acho que é a minha favorita. Se você ainda não viu, preste atenção nesse momento).

A co-produção entre os dois países traz cenários bonitos. O Pará e sua identidade, seu povo, sua beleza natural e sua música (pirei quando tocou “Asfalto Amarelo”, um clássico da música paraense), foi o lugar que mais se destacou no filme, depois do próprio mar, obviamente. Diferente das gravações na Nova Zelândia e em Santa Catarina, onde David foi mais restrito e gravou em lugares mais comuns do dia a dia. Como já citei, o mar foi quase um personagem, e foi o que ele mais explorou desses dois lugares. Na verdade, o mar foi/ ainda é o local onde a família Shurmann praticamente passa/passou maior parte do tempo. Vale lembrar que a família é conhecida por fazer altas navegações, inclusive, por dar a volta ao mundo no seu barco.

Falando em família, a parte menos explorada foi a parte dos irmãos. Será que o David não queria se ver interpretado? Ou não queria chamar a atenção das pessoas para “o diretor na tela”? Não sei. Mas estava sentindo muita falta dos irmãos que tinham sido citados no início da trama e até quase o fim do filme eles ainda não tinham aparecido. Toda hora ficava me perguntando: “cadê esses dois danados que não aparecem?” Mas eles apareceram. Quase no final, mas apareceram. Sem fala, mas apareceram. Afinal, o foco era Kat, as mães Heloísa e Jeanne e o pai Robert e a avó Bárbara.

O assunto central (como eu já falei é um big spoiller, por isso que eu não vou falar – mas que quase todo mundo sabe. Eu mesma já sabia quando fui ver o filme) é bem sério. Temos que refletir sobre ele, mas principalmente temos que CONVERSAR… chega de tabus. Mas apesar desse ser o assunto central, o filme foca mais no amor. O amor incondicional dos pais, dos filhos, da família. Apenas o amor.

Se vale a pena assistir? Vale. Não vou mentir que sentia um (pré)conceito por conta de Aquarius (amor brasileiro maior de 2016). Pior que esse sentimento não é algo só meu, outras pessoas também já tinham me falado a mesma coisa. Mas isso precisava ser quebrado por mim, sentia a necessidade de ver e de deixar essa sensação de lado e conhecer o “outro lado da moeda”. É um bom filme. Um emocionante e belo filme.

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Carol Cruz

Uma pessoa completamente apaixonada pela cultura (por todo tipo de cultura), uma produtora vidrada pelo mundo do teatro, principalmente dos musicais. Viciada em uma adrenalina de uma produção, seja ela em um ao vivo ou em um evento. Fofurices me encantam mas Caetano também. Escreve culturalmente através deste blog!

3 comentários em “O Pequeno Segredo foi desvendado!

  1. Bastante ansioso pra assistir! Curioso você apontar o “(pré)conceito” criado em torno desse filme por ter “desbancado” Aquarius da pré-seleção, muitas pessoas que conheço disseram o mesmo, e embora para o bem ou para o mal isso tenha dado um peso a mais para o filme, espero, guardada as devidas proporções, me encantar com a história de Kat tanto quanto me encantei com a história de Clara 😉

    1. Oi, Luiz! =D
      Exato, vários amigos também comentaram o mesmo sobre essa disputa de Aquarius x Pequeno Segredo.
      Já assistiu? É uma boa história também… mas sou suspeita de falar pois Clara ganhou um lugar especial no meu coração 😉

      1. Pior que perdi a oportunidade de ver no cinema, saiu de cartaz aqui. Mas agora é aguardar quando tiver nas plataformas online pra assistir e ficar de olho também se ele vai estar na lista dos indicados no começo de 2017.
        Hahahahah, sei como é isso, Clara também conquistou esse lugar, aliás, ela e toda sua coleção de vinils (tá certo assim no plural? rsrs) e memórias 😀

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