“O Prefeito” de Bruno Safadi e a ficção que não consegue superar a realidade

O Prefeito de Bruno Safadi. Foto:Daniela Nader/Divulgação.
O Prefeito de Bruno Safadi. Foto:Daniela Nader/Divulgação.

O longa de Bruno Safadi finalizou muito bem a segunda noite de festival. Também com uma estética bastante singular, Safadi traz para a história um prefeito da cidade do Rio de Janeiro que quer separar o estado carioca do país. Para mim, essa história não foi muito de ficção. Na verdade, bate certinho com a situação atual da política brasileira. Um filme barato, de 60 mil reais (diferente do outro filme do Bruno, o Éden, que custou 1 milhão de reais), mas que respondeu às expectativas do público (percebemos pelas palmas). E pela fala dele no debate: “Mesmo com todo orçamento pequeno, ele ficou melhor do que eu queria”.

O Prefeito é um dos filmes do Tela Brilhadora. Projeto formadopor quatro filmes – O prefeito, Garoto (Júlio Bressane), O Espelho (Rodrigo Lima) e Origem do Mundo (Moa Batsow) – e todos eles com baixo orçamento. “Quando a gente não tem grana, a gente tem que fazer com amor. Isso em relação à qualquer tipo de arte”, disse Bruno.

Bruno acompanhado de Nizo Netto, que interpreta o prefeito, seu primeiro protagonista. Foto:Daniela Nader/Divulgação.
Bruno acompanhado de Nizo Neto, que interpreta o prefeito, seu primeiro protagonista. Foto:Daniela Nader/Divulgação.

Destaque no filme vai para a atuação de Nizo Neto, que por sua vez faz o seu primeiro protagonista no cinema. Segundo o próprio ator, seu personagem vem com uma linguagem muito própria e crítica. O ator faz o papel do Prefeito e viaja pelo realidade e surrealidade. Se inspirou no político brasileiro, que hoje já virou um personagem caracterizado. Palmas para a atuação dele.

Palmas também para o cenário escolhido: uma obra em construção. Depois que a capital carioca se tornou sede das olimpíadas, obras em construção já faz parte do cenário da cidade. Falando nisso, o barulho das britadeiras é parte da trilha sonora do filme. Que é o que ele chama de Sinfonia da Contemporaneidade. No pré-projeto Bruno já tinha o objetivo de fazer música com a obra. Mas foi algo complicado pois teve que capitar todo o som na pós-produção.

Mas se tratando do Rio de Janeiro, claro que não podia faltar outras músicas. Ou seja, no filme também escutamos Noel, Tom Jobim, Guerra Peixe, o Estudo nº 11 de Villa Lobos, enfim. O montador do filme, Ricardo Prestes, também o ajudou bastante com a escolha das trilhas.

Sobre o roteiro Bruno fala que o escreveu em 2014, ou seja, logo depois dos protestos de 2013. Então ele estava na vontade de lidar com essa situação política que o país passava. Mas afirma,”a ficção não consegue superar a realidade”.

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Carol Cruz

Uma pessoa completamente apaixonada pela cultura (por todo tipo de cultura), uma produtora vidrada pelo mundo do teatro, principalmente dos musicais. Viciada em uma adrenalina de uma produção, seja ela em um ao vivo ou em um evento. Fofurices me encantam mas Caetano também. Escreve culturalmente através deste blog!

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