Os curtas fortes e intensos da quinta noite do CinePE

Foto:Daniela Nader/Divulgação.
Foto:Daniela Nader/Divulgação.

Diferente da noite morna da quinta-feira (5), a última sexta-feira (6) no Cine PE foi mais intensa e emocional. Os curtas pegaram mais nesses dois fatores.

Maria, curta pernambucano da diretora Carol Correia, trouxe toda a intensidade na ficção que teve como base o poema de Severina Branca, pernambucana de São José do Egito, da mesma cidade da diretora. Carol usou os versos para produzir os motes que viraram o roteiro final. Foi justamente através dessa narrativa poética que surgiu o filme. Da mesma cidade do filme da Tauana Uchôa, que foi apresentado na primeira noite do Cine PE – que inclusive já falamos sobre ele aqui – com uma narrativa que mostra essa vida literária da cidade de Pernambuco.

A história tem uma ligação forte com a poetisa pois assim como personagem da Maria (Karine Ordonio – fase mais jovem, e Marcélia Cartaxo – segunda fase do filme), Severina Branca também foi uma prostituta e teve sua vida marcada por momentos vividos pela profissão. No início do post eu falei que ele era mais intenso, e é justamente por isso.  Ele traz mais o lado emocional de tudo que a personagem do filme passou durante esses anos de profissão. A fotografia também ajudou a trazer esse lado sensitivo mais forte para o filme.

Sobre a participação da Marcélia Cartaxo, grande atriz e diretora pernambucana, Carol fala que ficou um pouco insegura por dirigir esta grande profissional. Mas pra mim, o resultado ficou lindo. Também não deve ter sido fácil para dirigir a mesma personagem em duas atrizes. O processo de construção de personagem, por exemplo. Segundo a própria Carol, foram dois processos diferentes. Eram duas épocas, então tinha toda essa questão.

Vamos passar para o segundo curta da noite mas vamos continuar na intensidade. Gosto de Carne (leia-se o gosto, e não o verbo gostar), dos também pernambucanos Álvaro Severo (jornalista) e Everton Maciel (professor de história) deu uma “chocada” no público que estava presente no Cinema São Luiz. Na sinopse ele começa assim: “Sutil provocação sobre os caminhos que levam a carne a nossa mesa…”. Bem, sutil eu não posso concordar muito. É forte, e dá vontade de sair da sala e virar vegetariano. Então, sem diálogo ou narração nenhuma, o curta consegue fazer gerar toda essa reação com o público só com as imagens.

Aí você me pergunta do que se trata o filme para ter esse choque todo. Segundo Everton Maciel, a ideia inicial era justamente fazer uma denúncia mas que hoje virou uma crítica e um curta que mostra a maneira que alguns abatedouros ainda tratam os animais e de como a mídia propagandista esconde tudo isso, até as carnes chegarem na mesa da família brasileira. Ou seja, um contexto de injustiça social. Enfim, um filme forte e bastante crítico. Se tem cenas que são desnecessárias? Pra mim teria mas consideram o argumento dos diretores, no curta a gente vê só vê cenas necessárias para criar todo um debate em torno do assunto.

Seguindo para o terceiro curta, o Redemunho que tem a direção e o roteiro da Marcélia Cartaxo – praticamente a mulher da noite pois brilhou como atriz e como diretora – é baseado no conto de Ronaldo Correia de Brito. A narrativa traz sentimentos perturbadores. Uma história sobre uma família tradicional que viveu alguns momentos tensos e que gerou “problemas” no futuro. Outro filme (in)tenso.

O cenário é o sertão paraibano, os atores foram os talentosos Daniel Porpino e Eleonora Montenegro, todos do teatro. Destaque para a cena do curral feita pelo Daniel, que segundo o produtor Heleno Bernardo Campelo, foi uma cena totalmente feita na hora, que tirou o fôlego e a voz do ator.  Destaque também para a direção de arte do Zeno Zanardi que estava espetacular. O cenário ficou incrível. A produção do filme também está de parabéns pelo set de locação “encontrado”. A equipe é inteira da Paraíba.

Enfim, palmas para a noite que foi praticamente Pernambucana.

Depois de filmes tão fortes, cheio de sentimentos como esses, só nos restava acompanhar o longa-metragem que foi o documentário pernambucano Danado de Bom. Sobre ele teremos um texto a seguir.

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Carol Cruz

Uma pessoa completamente apaixonada pela cultura (por todo tipo de cultura), uma produtora vidrada pelo mundo do teatro, principalmente dos musicais. Viciada em uma adrenalina de uma produção, seja ela em um ao vivo ou em um evento. Fofurices me encantam mas Caetano também. Escreve culturalmente através deste blog!

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