Os últimos curtas do CinePE 2016

Sei que eu estou um pouco atrasada mas eu falei aqui que ainda teríamos inúmeros posts sobre o Cine PE pois foi um festival incrível e que rendeu muitas pautas – lindas – para o blog.

Vamos terminar o assunto Curtas do Cine PE? Fiquei em falta sobre os comentários das produções do último dia de competição, o sábado (7).

A protagonista Brenda Lígia Miguel junto com o diretor Luiz Rodrigues Jr. filme Diva. Foto: Daniela Nader/Divulgação.
A protagonista Brenda Lígia Miguel junto com o diretor Luiz Rodrigues Jr. filme Diva. Foto: Daniela Nader/Divulgação.

Diva, filme de Luiz Rodrigues Jr., foi o primeiro da noite e trouxe uma narrativa mais teatral para a tela do Cinema São Luiz. A história conta os dilemas que uma atriz vive com algumas das suas personagens. Digamos que seja um dilema entre seus “Eu’s”.

A produção foi feita para o TCC (mais um filme que saiu da faculdade/curso para o festival) e teve a ajuda do início ao fim da própria atriz Brenda Lígia Miguel, que faz sua primeira protagonista no cinema e que tem sua formação nos palcos. Ela ajudou muito nos ajustes de palavras teatrais. O próprio Luiz  comentou que como ela conhecia mais desse mundo do teatro, ela trouxe com mais facilidade o jeito de falar, as características e gírias do teatro para o cinema.

A narrativa do projeto também foi tendo suas modificações através das gravações. No final ficou uma história “redonda” – termo que usamos quando uma história vem “certinha”, “limpinha”, com começo, meio e fim – e agradando o público, que deu para a equipe o prêmio de melhor filme pelo Júri Popular.

Uma curiosidade sobre o filme foi revelada durante a coletiva: “Aquele choro era de verdade. (…) Estava grávida e passando por mudanças pessoais mas a equipe do filme não sabia”. Diz Brenda sobre o processo de gravação. Isso “explica” toda a doação da atriz para a personagem.

Os Filmes Que Moram Dentro de Mim de Caio Sales.
Os Filmes Que Moram Dentro de Mim de Caio Sales.

Os Filmes Que Moram em Mim foi o segundo filme da noite. A produção, do pernambucano Caio Sales, trouxe para a tela uma história com uma estética mais singular e uma fotografia incrível – palmas para Bruno Cabús. Juntando a sinopse: “Tenho impressão de que certas imagens com os quais convivo são espécies de fissuras (…) não me resta escolha senão a de atirar-me dentro delas”, e o título, fiquei com a impressão que o filme é muito pessoal. Muito do Caio. Muito dele e dos “filmes que moram dentro dele”. Mas não consegui tirar essa dúvida pois a equipe não se encontrava na coletiva.

Paloma Rocha diretora e autora do filme Gramathyca. Foto: Daniela Nader/Divulgação.
Paloma Rocha diretora e autora do filme Gramathyca. Foto: Daniela Nader/Divulgação.

Continuando com as exibições, Gramathyca, de Paloma Rocha (Glauber Rocha), trouxe todo sentimentalismo e trabalho de libertação de uma alma para a narrativa que vem “só” com trilha sonora ao fundo.

Segundo a própria Paloma, a produção foi feita sem nenhum patrocínio, com pessoas que acreditaram no projeto, como o diretor de fotografia Gustavo Habda – que sugeriu tirar os diálogos que existiam na primeira versão do roteiro – e com recursos financeiros da própria diretora e roteirista do filme.

“Foi um filme de condensação muito grande”, diz Paloma sobre a produção. É um experimental mas ao mesmo tempo é tão – tão – intuitivo e sensorial. É uma libertação da alma. “Foi feito para explorar a experiência sensorial dentro do cinema”, continua Paloma. A participação da mãe, Helena Ignez, da Alda Maria Abreu e da Mauara Baiocchi, atrizes e bailarinas, trouxe todo o amor e a arte da forma mais pura ao filme.

Gramathyca de Paloma Rocha.
Gramathyca de Paloma Rocha.

A locação escolhida foi o Parque Laje – para mim não poderia ter escolhido locação melhor – no Rio de Janeiro. Tem um post sobre ele aqui. Um lugar que mistura natureza com arte. Ou seja, teria lugar melhor? Não.

E a trilha sonora para um trabalho como esse teria que ser bem escolhida também. E foi. Lívio Tragtemberg, Naná Vasconcelos (Paloma dedicou a exibição ao músico) e Villa Lobos foram os escolhidos para compor o filme que “dependia” muito deles para ser formado.

Eduardo Souza Lima, diretor de Bola para seu Danau. Paloma Rocha diretora e autora do filme Gramathyca. Foto: Daniela Nader/Divulgação.
Eduardo Souza Lima, diretor de Bola para seu Danau. Foto: Daniela Nader/Divulgação.

Para finalizar a noite tivemos o filme Bola para seu Danau, do diretor Eduardo Souza Lima, um documentário sobre “o nascimento do futebol” no Brasil, precisamente em Bangú no Rio de Janeiro. Sinceramente, quando acabou a sessão achei que ficou tão curto, muito curto, que era melhor nem te feito. Mas confesso que depois de analisar um pouco mais do que tinha visto vi que até ficou com um tempo razoável. Ou melhor, que ficou no seu tempo certo.

Com histórias resgatadas através de moradores, através de relatos de pessoas que viveram ou escutaram falar sobre Thomas Donohoe (técnico da Fábrica de Tecidos Bangu, que “teoricamente” trouxe o futebol para o Brasil e deu o primeiro chute em terras nacionais), Eduardo montou o filme de uma forma mais “hilária”, voltada para a comédia, que é a sua paixão. Esteticamente ele ficou muito bom, alcançou o objetivo cômico e as esquetes acabaram trazendo um “quê” da época (1894).  São junções de “fábulas”, pois tudo que ele tinha eram as histórias das histórias. E mesmo assim o diretor só tinha um objetivo: “Provar que o futebol nasceu no Brasil”. Diz Eduardo cheio de orgulho na coletiva.

 

 

Gostou do meu post? Então compartilha!

Carol Cruz

Uma pessoa completamente apaixonada pela cultura (por todo tipo de cultura), uma produtora vidrada pelo mundo do teatro, principalmente dos musicais. Viciada em uma adrenalina de uma produção, seja ela em um ao vivo ou em um evento. Fofurices me encantam mas Caetano também. Escreve culturalmente através deste blog!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *