Precisamos falar sobre uma Elis querida por todos, menos pela própria

Andréia Horta interpretando incrivelmente uma "nova" intensa, e meiga, Elis. Foto: Divulgação.
Andréia Horta interpretando incrivelmente uma “nova” intensa, e meiga, Elis. Foto: Divulgação.

Já tem umas semanas que vi Elis, Hugo Prata, e acabei não parando aqui para falar sobre a cinebiografia da – melhor – cantora mais intensa que a gente já teve. De um talento incrível, de uma personalidade bem forte, de uma persistência na carreira, Elis marcou a história da música popular brasileira, deixando o tremendão com a Jovem Guarda, e a Bossa Nova para trás. Todo mundo só queria saber do “novo estilo” que se cantava por aí. Dessa “nova” música, da nossa grande MPB.

E foi assim que Elis fez sua história e marcou uma história. Conhecida como a Pimentinha do Brasil, a cantora não levava desaforo para casa, não deixava ninguém à humilhar, nem subestimar o talento dela. Formou uma família, casou uma, duas vezes, ajudou os pais com seu trabalho, fez parcerias incríveis, fez muita gente se apaixonar por ela, fez o Brasil se apaixonar por elas, mas esqueceu de uma coisinha: se apaixonar por ela mesma.

Se o filme me mostrou algo, ele me mostrou isso. Gosto de assistir – acho que já comentei isso por aqui – sempre com a sala “meio cheia”, ou que pelo menos tenha pessoas comentando o filme ao final da sessão. E nessa sessão na qual eu assisti o filme, uma mãe estava comentando com a filha e o marido (assim imagino que seja a formação dessa família): “era uma pessoa muito querida por todos!”. E na mesma hora eu mesma respondi a senhora mentalmente: “menor por ela mesma”. Foi essa a maior impressão que  tive no filme. Ela podia “se” defender, lutar, ir atrás dos seus objetivos, mas custava para se cuidar e para “se” querer bem. O álcool e o cigarro – seja lá de que tipo – sempre fizeram parte do seu dia a dia e isso trazia momentos introspectivos demais, e de muitas dúvidas.

A produção que traz uma Elis meiga, que muita gente desconhecia. Ou será que realmente existia? Foto: Divulgação.
A produção que traz uma Elis meiga, que muita gente desconhecia. Ou será que realmente existia? Foto: Divulgação.

Mas se – infelizmente – teve uma coisa que o filme mostrou foi uma Elis “meio calma”. Como o apelido já dizia, Elis era uma pimentinha. Era uma pessoa que não tinha nenhuma restrição quando ia responder à algum comentário que a deixasse nervosa. Posso estar falando besteira, mas é isso que escuto de pessoas que eram/são fãs, de outros colegas de profissão em entrevistas, de matérias, enfim. Claro que o filme não mostrou uma Elis santinha, mas também não mostrou uma Elis pimenta. Foi algo que ficou entre o meio termo. Mas, segundo entrevistas que li por aí, era isso mesmo que ele queria: tirar essa ideia de que Elis não era só “tão nem aí” para a vida. Que ela não se jogava completamente no mundo das bebidas e das drogas.

Curiosidade: para quem não ficou sabendo (comentamos isso em outros posts que comentamos sobre o filme) Andréia não cantou, nas horas da música ela apenas dublou. E que dublagem, e que interpretação – todas as palmas do mundo para ela – mais perfeita. Incrível. Valeu – e muito – o prêmio do Festival de Gramado de 2016 como melhor atriz, onde o filme teve a sua estreia brasileira.

No mais, palmas para todos os atores  que completam o elenco do filme. Qualquer pessoa, gostando ou não, tem que analisar o peso que aquelas pessoas tinham sobre a arte brasileira, sobre a música brasileira. Não posso deixar de destacar Lúcio Mauro Filho que interpretou – muito bem – o Miéle. Um personagem que foi “escrito” na medida, com falas certas, em momentos específicos, que quebravam a tensão das cenas.

Lúcio Mauro Filho no papel de Miéle lendo um típico clássico da época: O Pasquim. Foto: Divulgação.
Lúcio Mauro Filho no papel de Miéle lendo um típico clássico da época: O Pasquim. Foto: Divulgação.

Acho que posso falar que as músicas foram muito bem escolhidas. Uma seleção que ajudou a contar a história. Posso falar também que a direção de arte trabalhou muito bem, com uma competência que nos levou há alguns anos atrás. E para finalizar tenho que destacar a preparação corporal, e o preparador, de Andréia. Segundo a atriz, foram três meses de trabalho intenso. Mas três meses que super valeram à pena para a produção chegar onde chegou.

Tiveram pessoas que fizeram comparação com a peça. São duas vertentes diferentes, não sei se podemos comparar. Sou sortuda de ter visto as duas produções. Só posso dizer que enquanto a peça a personagem da família que dava todo o apoio para ela no começo da carreira era a mãe, no filme era o pai. Foi onde fiquei confusa, mas depois abstrair.

Ah! Só queria fazer um “pequeno protesto”: por que as pessoas – uma boa parte – se levantaram na hora dos créditos?! Logo na hora dos créditos? Aí você responde: ahhh… mas isso é coisa de crítico, de cineasta, de entendido… (vou nem entrar no mérito dessa discussão agora) Aí eu te respondo dizendo que é durante os créditos que tem uma das melhores interpretações musicais do filme. Talvez isso seja uma fã falando, mas enfim. Foi um filme que me tocou, tocou lá no fundo, sabe?!

Então se ainda não viu, tem algumas salas que ainda está com o filme em cartaz.

 

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Carol Cruz

Uma pessoa completamente apaixonada pela cultura (por todo tipo de cultura), uma produtora vidrada pelo mundo do teatro, principalmente dos musicais. Viciada em uma adrenalina de uma produção, seja ela em um ao vivo ou em um evento. Fofurices me encantam mas Caetano também. Escreve culturalmente através deste blog!

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