Segredo, revelações e reviravoltas em “As Duas Irenes”

Se vivemos um momento lindo no cinema brasileiro? Sim. Vivemos. Atualmente, estamos em cartaz com 4 filmes nacionais de altíssima qualidade de roteiro e de produção (Como Nossos Pais, Bingo – O Rei das Manhãs, O Filme da Minha Vida e Corpo Elétrico). E ontem (14), tivemos mais uma estreia brasileira para complementar a lista do “tem que ver”.

O filme “As Duas Irenes”, de Fábio Meira, traz a história de duas meninas que tem a mesma idade – 13 anos – e o mesmo nome – Irene (Priscila Bittencourt e Isabela Torres). Toda história começa quando uma Irene descobre que tem outra irmã, que também se chama Irene, fruto de um outro casamento que seu pai (Marco Ricca) tem com uma outra mulher. Ao descobrir essa história, ela vai ao encontro dessa família se apresentando com um nome diferente. A partir daí, ela começa a descobrir um mundo novo, um mundo cheio de mistérios e muitas revelações. E no meio de toda essa confusão, ela ainda vai passar por um processo de transformação de personalidade, que a faz enxergar as pessoas com as quais convive de um jeito diferente. Ela começa a ver como essas pessoas realmente são.

O roteiro é lindo e super bem escrito. Acho que não tem outra palavra que possa descrever. Poderia dizer que ele é intenso? Sim. Claro que sim (amo essa palavra #mejulguem). Mas acredito que a palavra ‘lindo’ traz um pouco mais de leveza. Porém, pensando por outro lado, falar que ele apenas é ‘lindo’ também é muito pouco para um roteiro que me prendeu do início ao fim. Em cada cena ficava ansiosa para saber o que aconteceria no final da ação. É um texto muito bem amarrado, que não se perde nem no tempo e nem nos mistérios da narrativa. Resumindo: uma história linda e muito bem trabalhada.

Além do roteiro, o que me chamou a atenção do primeiro segundo até o final foram as diversas paletas de cores usadas em cada cena. Quando Fábio conversou com a gente (durante a nossa entrevista que vai ao ar em breve), ele confirmou que realmente essa foi uma escolha de produção. Eles não queriam trabalhar com paletas de cores muito específicas para o filme não parecer algo monótono. E foi justamente essa “pluralidade” de cores que eles conseguiram passar na tela. O filme não tem uma cor específica. Me encantou muito cada momento, cada situação, ter “a sua cor”.

Outra questão que me impressionou foi a escolha das locações. O filme foi rodado em Goiás (Goiás Velho), local onde o diretor  gravou seu primeiro curta. Segundo Fábio, o lugar tem uma luz incrivelmente bonita, além de ter uma natureza bastante rica, que complementou mais ainda a direção de arte – bem trabalhada – que o filme tem. Uma história sem tempo determinado, que pode acontecer hoje, que pode ter acontecido há anos atrás. Muito bem contada e bem apresentada.

As interpretações das ‘duas Irenes’, que atuam pela primeira vez em um filme, são ótimas. As atrizes Isabela e  Priscila entraram pela primeira vez em um set de filmagem na produção de “As Duas Irenes”, mas parecem que já passaram por alguma outra experiência. O elenco foi muito bem preparado. Além das meninas e do Marco Ricca, também tivemos as grandes atuação de Inês Peixoto e Susana Ribeiro, que fizeram as mães das Irenes. Outro destaque vai para um pequeno ser que me encantava toda vez que entrava em cena. E esse destaque é a pequena Ana Reston que interpreta Cora, uma das irmãs mais novas de uma as Irenes. Claro que o mérito também é do roteirista – neste caso o roteirista também é o diretor também – por ter escrito muito bem essa personagem. Por questão de orçamento, Cora era para ser feita por uma criança da própria cidade de Goiás, mas ao fazer o teste com Ana, o diretor viu que não poderia ser outra além dela.

“As Duas Irenes” não é um filme que mostra apenas o cotidiano de duas meninas de 13 anos com um “segredo” em comum. É um filme que mostra duas – quase adolescentes – se transformando em “mulheres” com personalidades fortes. Descobrindo lados que não imaginariam ter. Consigo enxergar um passeio entre a meiguice, a ingenuidade, a necessidade da verdade e do afeto sincero, guiado por segredos e revelações.

 

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Carol Cruz

Uma pessoa completamente apaixonada pela cultura (por todo tipo de cultura), uma produtora vidrada pelo mundo do teatro, principalmente dos musicais. Viciada em uma adrenalina de uma produção, seja ela em um ao vivo ou em um evento. Fofurices me encantam mas Caetano também. Escreve culturalmente através deste blog!

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