Trago Comigo e a lembrança de um tempo não tão distante

1Trago Comigo – finalmente – chegou por aqui e, então, corri para assistir. Estava louca de curiosidade para ver o filme. E finalmente chegou a pré-estreia e lá fui eu, pronta para receber a mais nova obra da diretora Tata Amaral.

Podemos dizer que é nova? Sim. Podemos. Apesar da produção ter como base a série homônima de 2009 produzida pela TV Cultura e escrita por Thiago Dottori, o filme chega – por a caso – em uma boa época, com depoimentos reais (e novos) e um belo texto.

A história traz Telmo (Carlos Alberto Riccelli), um diretor de Teatro, que há tempos não dirigia nenhuma peça, e um ex militante da ditadura militar. Além de um teatro recém reformado e pronto para reabrir. Para isso, Lopes (Emílio Di Biasi), um grande amigo de Telmo – companheiro de grandes histórias e de militância – o convida para dirigir a peça de reabertura do espaço.

Diretor estava escolhido. E a história? Qual seria? É quando Mônica (Georgina Castro), namorada do Telmo e uma – não muito experiente – atriz, começa a vasculhar o passado do diretor, coisa que ele não quer lembrar. Ou melhor, nem tem como lembrar. Mas é na pressão pessoal que ele escolhe usar a peça para tentar lembrar de tudo o que aconteceu e, quem sabe, tirar uma dúvida que não o deixa dormir direito.

Quando fiz o primeiro post falando sobre a estreia do filme eu pensei – imaginei – que teria algo parecida com Léo e Bia, de Oswaldo Montenegro (filme que amo pois veio em uma época certa para mim). Mas não. Tentei achar uma relação mas não achei outra a não ser o Teatro dentro do cinema e o tema. Aí você se pergunta: mas ué! Não é uma relação grande? Eu te respondo: Não. Pode até parecer, ter um mesmo estilo, mas o “feeling” é outro totalmente diferente.

A produção logo no início parece ser um documentário, um falso documentário sobre os tempos da ditadura onde o próprio Telmo participa. Mas só no decorrer do final que percebemos que ele pode chegar a ser um “documentário real”. Um mix de documentário e ficção. Tenho que ser sincera e falar que logo no início essa mistura me deixou meio confusa, meio sem saber se gostava ou não. Mas quando chegou no final vi todo o sentido dos depoimentos que intercalavam a história. Eram depoimentos de pessoas, de famílias, que passaram por momentos de tortura, que perderam pessoas queridas durante a luta contra a ditadura mas que nunca desistiram de lutar por um país.

Desta vez não rolou lágrimas. Digamos que teve muita emoção sem choro. Senti uma espécie de orgulho e, ao mesmo tempo, uma vergonha por essas pessoas não serem muito lembradas. Pensei: putz… tantas pessoas lutaram para a gente ter esse estilo de vida como a que nós temos.

Creio que Tata não imaginava mas o filme teve sua estreia em um momento certo. Sabe aquela história que brasileiro tem memória curta? Então, é exatamente isso. O filme traz algo que aconteceu não tem muito tempo e que precisa ser relembrado, pois parece que todo o sofrimento que essas pessoas passaram foi esquecido de uma hora para outra.

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Sobre os atores. Gosto das atuações. – Na verdade eu ainda não sei o que achei sobre. Mas tenho que ser sincera e falar que sou fã da Selma Egrei que participa do filme em poucas cenas mas que são decisivas. Gosto do Carlos. Sobre as atuações dos outros atores não sei se gosto tanto mas destaco: Julio Machado (Marcelo), Pedro Lemos (Fábio) e o Felipe Rocha (Miguel). Gostei do garoto Felipe em cena, “em palco”.

Enfim. Hoje eu trago comigo uma sensação incrível de saber mais sobre esta época. Uma sensação incrível de conhecer de uma forma mais “sensível”, mais sincera, delicada e intensa ao mesmo tempo.

Vale lembrar que o filme se encontra em cartaz no Recife no Cinema São Luiz. Confira a programação e corra que vale muito!

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Carol Cruz

Uma pessoa completamente apaixonada pela cultura (por todo tipo de cultura), uma produtora vidrada pelo mundo do teatro, principalmente dos musicais. Viciada em uma adrenalina de uma produção, seja ela em um ao vivo ou em um evento. Fofurices me encantam mas Caetano também. Escreve culturalmente através deste blog!

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