#CFEntrevista! Dani Noce e o seu mundo na internet

No último dia 26 o Shopping Riomar Recife realizou o Encontro com Youtubers. No evento, a youtuber e confeiteira, Dani Noce bateu um papo com os seus fãs e lançou seu mais novo livro na cidade, o A Receita da Felicidade. Acompanhado de seu marido e cineasta, Paulo Cuenca, eles conversaram e responderam perguntas dos fãs e logo após autografaram os livros. Foto: Carolina Cruz / Culturalmente Falando

Mas, antes disso, nossa equipe bateu um papo super legal com ela. Conversamos sobre os livros, o mundo da internet, viagens e muito mais! Quer saber o que ela falou, então fique agora com a entrevista completa com Dani.

Foto: Patrícia Nogueira/ Site Dani Noce
Foto: Patrícia Nogueira/ Site Dani Noce

O livro: A Receita da Felicidade

Este é um livro interativo, então, é um livro bem diferente do Por uma vida mais doce, que só tem receitas. É um livro que engloba essa nova fase que estou vivendo que fala sobre viagens, moda, beleza, lifestyle, relacionamento, enfim. Colocar um pouquinho mais da minha personalidade aqui dentro e não só na receita.

 O processo da escrita e a diferença entre o mais novo livro e o “Por Uma Vida Mais Doce”.

O Por Uma Vida Mais Doce já era um livro que eu queria fazer há muito tempo. Desde quando eu comecei na internet, já queria fazer meu livro de receitas. E acho que todo mundo que faz receitas gostaria de ter um livro de receitas. E é um livro bem trabalhoso, que demora muito tempo para ser feito. E esse aqui não. É um livro que foi super rápido pra gente fazer. Acho que em dois meses ele já estava pronto. Então, basicamente, foi a gente colocar de uma maneira divertida o que eu queria passar desse ano. O próximo livro já vai ser um livro de receitas mas eu não sei quando vou consegui terminar ele, pois os compromissos só aumentam.

Foto: Paulo Cuenca/ Site Danielle Noce
Foto: Paulo Cuenca/ Site Danielle Noce

A estética (dos livros, canal, blog) é incrível. Então, queria saber se pelo fato do Paulo ser cineasta e você ser formada em moda, isso acaba ajudando/influenciando?

Acho que a gente tem um olhar estético bem apurado para o que a gente gosta. Não existe certo, não existe errado, óbvio. Mas a gente tenta sempre colocar o que a gente acha de mais interessante pra gente. Então, eu sempre faço produção, foodstyling e também onde eu acho que tem que apontar pra cá. É engraçado que todo mundo sempre fala: “ah, o Paulo é ótimo em filmagens”. Mas até ele mesmo fala, tipo, “ah! tem muitas vezes que a ele tá filmando de um jeito uma coisa, e eu falo: não! Acho que o ângulo melhor é tal.” Óbvio que não é sempre, porque eu estou fazendo minha comida, prestando atenção em outra coisa. Ou, tô arrumando a mesa para tirar foto e tudo mais. Mas tem coisas que eu falo: “olha tá muito lindo daqui. Então, agora vem daqui, faz um over shoulder, não vem de cá.” Então, os dois trabalham muito juntos. Tanto ele botando bedelho em minhas receitas, ou então, eu colocando bedelho no trabalho dele.

Foto: Carolina Cruz / Culturalmente Falando
Foto: Carolina Cruz / Culturalmente Falando

Ser Youtuber

É engraçado, porque existem vários tipos de youtubers. Mas, você fala: um médico, né… você pode ser um médico super bom, você pode ser um médico ruim, você pode ser um médico popular. Você pode ser um médico mais caro, enfim. Eu acho que é a mesma coisa. E no nosso caso, não só no nosso caso mas vou falar só da minha parte. Pra mim ser uma youtuber é ser uma empresária antes de tudo. Na verdade, acho até engraçado quando me chamam de confeiteira porque é a última coisa que faço. É basicamente assim: eu vou lá e gravo um vídeo de confeitaria. Mas a quantidade de coisas que eu tenho que fazer antes desse vídeo ser gravado. Desde ver contratos, conversar com pessoas em reuniões. Fazer a parte de produção das receitas, depois desenvolver as receitas, arrumar os ingredientes. Filmar, finalizar o programa, dar OK na edição, ver se é aquilo que a gente quer ou não. Nem eu nem o Paulo, dá ok sem o outro tá do lado. Então é uma coisa bem feito junto. Fazer um planejamento de carreira, “o que eu quero”. Mesmo quando eu fiz a mudança: “era isso mesmo que eu queria. Isso vai valer a pena pra mim. É isso que eu quero? Eu quero só continuar fazendo receitas.” Então, de certa forma é tudo planejado e pensado. Eu fui oito anos empresária e comerciante, durante oito anos eu tive a loja, então acho que isso faz toda a diferença, assim sabe, para saber exatamente o que que eu digo sim, e para quem eu digo não, sabe. Acho que pra mim isso é o mais importante em ser uma youtuber. Ainda mais hoje em dia com milhões de empresas saindo da TV e querendo fazer um conteúdo bem mais barato do que elas pagariam na TV para colocar os produtos. É muito importante saber para quem você está dizendo o seu sim. Eu quero que isso seja à longo prazo. Isso é o mais importante, sabe. Se eu quero que isso seja à longo prazo é agora que eu tenho que construir a base. Eu prefiro que a base seja construída aos poucos e não tipo um “boom” e você tá lá em cima no topo mas não tem tipo as escadinhas embaixo, do que eu simplesmente começar à dizer sim para um monte de coisas e no final, dá cinco anos e eu não tenho uma carreira. Quero que seja uma carreira durante anos. Até quanto tempo a internet durar.

É engraçado, pois a gente foi na Viticon e a gente viu muitos Youtubers assim, que mudaram o canal, muito assim. Porque começaram com o Youtube há 10 anos atrás, lá fora né. Aqui a gente tem acho que o Youtubers de seis anos, mais ou menos. Mas lá a gente tem Youtubers de 10 anos. E daí – por exemplo – o cara começou como Gamer, jogando vídeo game. Daí agora ele não tem mais 16 anos, ele tem 26. Daí ele não quer mais video game, mas quer continuar sendo youtuber. Só que daí ele tá fazendo outra coisa. Então já tem muitos Youtubers que tão fazendo uma transição grande, e é isso. Então, talvez – eu tenho 32 – daqui há 5 anos possa ser que eu tenha filhos e eu vou ter 37 e eu queira que o canal seja mais sobre os meus filhos ou quem sabe até uma culinária para crianças. Sei lá… mas que seja na internet. Então assim, é super importante essa transição porque eu quero realmente que o público goste de mim e não das receitas.

Filhos no Youtube? Vai ficar à vontade para mostrar esta fase? 

Foto Site Danielle Noce
Dani com Lu Ferreira, a Chata de Galocha, que acabou de ter seu filhinho e tudo está documentado no canal da Chata <3 Foto Site Danielle Noce

Eu não sei, acho que tudo vai de caso a caso. A parte da gravidez que nem a Chata (Lu Ferreira do blog Chata de Galocha) fez eu não acho problema mesmo assim porque eu falaria “de boas” sobre isso. Mesmo porque eu acho que tenho uma perspectiva mais realista do que a maioria que fica felizona, por isso que acho que ia ser até engraçado. Porque eu sou muito virginiana racional, sabe. Então acho que seria interessante. Acho que essa parte seria muito engraçada. Então, tipo, eu acompanhei bastante aqueles diários de gravidez da Chata, então seria interessante fazer umas coisas assim. Agora, chegando na parte depois que o bebê nasceu, eu acho que ainda eu não tenho uma posição, assim, definitiva sobre isso.

Foto: Paulo Cuenca / Site Danielle Noce
As amigas queridas, Dani, Flavinha e a Baby Vi <3 Foto: Paulo Cuenca / Site Danielle Noce

Porque eu acho que são duas coisas que pesam, por exemplo, eu acompanho muito a Flavinha (Flavia Calina que mostra sua vida materna com sua baby Vi), só que a Vi mora nos Estado Unidos, então, a partir do momento que a Vi vai para uma escola e ninguém conhece ela, ela consegue ter uma vida normal. Sem problemas nenhum, porque ninguém lá sabe o que a Flavinha faz. Porque quem acompanha é o público brasileiro. Agora, a partir do momento que você está no Brasil e a sua criança vai ter que ir para uma escola no Brasil. São duas realidades bem diferentes, e aí você vai ter que pensar bem sobre isso. Se for colocar ok mas ter essa consciência que você vai fazer alguma coisa que seu filho não vai ser enxergado como os outros. (além da própria segurança – eu falei) tudo, tudo. Tem que pensar em tudo. Tudo vai depender de onde eu morar.

Tenho uns amigos meus que falam: “a partir do momento que você toma uma decisão você tem um pacote de solução e um pacote de problema, pra qualquer coisa que você faça.” Então é isso, sabe. Vou ter que decidir quais os pacotes que eu vou querer. E abraçar, porque a partir do momento que você decidi não mostrar, também tem esse problema. (Porque as pessoas começam a falar) “Por que não quer mostrar?” “Que que tem?” “Porque que não sei o quê?”.

Foto: Carolina Cruz / Culturalmente Falando
Foto: Carolina Cruz / Culturalmente Falando

 

A paixão dos brasileiros pela internet

Eu acho bem legal, porque há muito tempo que eu via a televisão e ela já não me representava. Eu achava aquelas pessoas distantes, irreais, com vidas que a maioria não tem. E você vê tudo aquilo, e aquelas são as pessoas que você admira. Mas admira por quê? Por quê elas são bonitas? Por que ela é gostosa e malhada? Por que o cara tem um carrão? E eu via muito isso. Eu sempre olhei aquilo como uma coisa tipo: “ai que chato, isso.” E eu acho que a internet veio para mudar um pouco isso. É obvio que já tem muita gente discutindo inúmeros assuntos como o Youtube cada vez mais se aproxima da TV. Para meio que agradar um público, antigamente o Youtube era um pouco mais diferente. Claro, que a base começou com pessoas tipo PC Siqueira, Kauê Moura, até o Felipe Neto. Mas começou com pessoas reais. O PC é um vesgo e tipo, você fala: nossa! quero ver esse menino! E você não tinha dinheiro pra nada, e mesmo assim você estava ali querendo ver o menino. Então assim, eu acho que a internet serve pra isso também, tipo, você gostar de pessoas que tem os mesmos problemas que você. Que tipo, vão chegar lá no final do vídeo e que vão falar sobre esses problemas que você também tem. É gente como a gente. Que não vai sentar e ser que nem uma Fátima Bernardes e colocar panos quentes no assunto, sabe. Então, isso é o mais importante, sabe. Tomara que o Youtube não perca isso por inúmeros fatores. (Pois não tem só a internet, tem outras coisas por trás. – Comentei). Tem, tanto o público, como empresas.

Foto: Carolina Cruz / Culturalmente Falando
Foto: Carolina Cruz / Culturalmente Falando

Próximo destino?

Casa – risos -. (A entrevista foi na semana de lançamento do livro em que ela e o Paulo passaram por cinco capitais em apenas uma semana, e Recife era o última cidade da tour). Eu quero meus cachorros. Hoje estou mais descansada mas ontem achei que eu não ia aguentar. Que ia sair no jornal, tipo: “Youtuber desmaia no meio da fila e não termina a fila”

E de viagens, já tem programação?

Eu volto, daí eu tenho uma semana de gravação. Daí eu vou para Austin e fico até o dia 22 que vai ter o South by South West que é uma, tipo uma VitCom mais de tecnologia, música, cinema. Então, uma feira de tecnologia e entretenimento.

E essas feiras são ótimas que vocês sempre estão aprendendo alguma coisa.

Isso!

Dani completou a entrevista comentando que ela e o Paulo, mais uma amiga do Google, estão trabalhando em um novo projeto e que em breve vem mais novidades por aí!

Bem, nós do Culturalmente Falando, agradecemos muito a simpatia dos dois, e a oportunidade de bater esse papo com vocês! Que o sucesso continue! Vocês são incríveis!

Foto: Carolina Cruz / Culturalmente Falando
Foto: Carolina Cruz / Culturalmente Falando

Beijos chocolatudos! <3

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Carol Cruz

Uma pessoa completamente apaixonada pela cultura (por todo tipo de cultura), uma produtora vidrada pelo mundo do teatro, principalmente dos musicais. Viciada em uma adrenalina de uma produção, seja ela em um ao vivo ou em um evento. Fofurices me encantam mas Caetano também. Escreve culturalmente através deste blog!

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