Com vocês, a potência chamada Bibi Ferreira!

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Bibi Ferreira em conversa com os jornalistas na sua passagem pelo o Recife. Foto: Carolina Cruz/ Culturalmente Falando.

No começo da noite da última quinta-feira (8), tivemos um encontro bem especial. A cantora, atriz, diretora de teatro e bailarina Bibi Ferreira conversou com alguns jornalistas da cidade do Recife – local onde fará duas apresentações do seu espetáculo 4x Bibi hoje e amanhã no Teatro RioMar. Confira agora os detalhes desta – linda – conversa.

Bibi começou respondendo uma pergunta sobre sua inspiração e referência espanhola. A cantora é brasileira mas é filha de uma espanhola com um brasileiro. Os dois artistas – e que artistas! O pai Procópio Ferreira era ator, e a mãe Aída Izquierdo bailarina. E sobre sua carreira artística ressaltou a importância da mãe: “Devo única e exclusivamente à ela”.

Quando fui perguntar sobre o que o público pode esperar do espetáculo que será apresentado logo mais, ela me respondeu sendo direta e super gentil ao mesmo tempo: “Não posso falar. Se eu falar vocês não vão me ver. Não vai ter graça!”. Sobre o 4x Bibi ela só comentou sobre o figurino e a dificuldade de selecionar o repertório que conta com os grandes nomes da música: Piaf, Sinatra, Carlos Gardel e Amália Rodrigues. “O que eu posso dizer é que estarei de branco. (…) Escolher o repertório foi um momento cruciante!”, disse Bibi. E quando perguntado da importância de Piaf, ela não economizou elogios. “Mulher forte, que fez o que quis, cantou o que quis (…) mulher inspiradora. Só entrava no palco vestida de preto e cantava. Igual a mim, só que estarei de branco (risos)”. Sobre Sinatra também foi o mesmo. No final desta questão ela ainda ressaltou: “Gênios assim você não encontra todos os dias”. Comentando sobre o nível de talento desses compositores. “Eram compositores que traziam as músicas para os cantores. Hoje em dia é difícil de ter isso.”

Bibi, que já fez inúmeros shows/morou em Nova York, falou quais são as interpretações que os brasileiros mais gostam de ouvir em seu show. Ela respondeu que quando ela canta as músicas do Dorival Caymmi e de Ary Barroso são as que mais “aquecem” o público. Tanto que antes deste espetáculo ser montado, a ideia era fazer um só sobre o baiano Dorival. Mas surgiu 4xBibi e ele “ficou no aguardo”. Se teremos ainda esta apresentação nós não sabemos. Ela não comentou nada.

Sobre a relação com a capital pernambucana – a qual já veio inúmeras vezes – ela ressaltou de como era próxima da Dona Diná e do Valdemar de Oliveira, e citou Capiba como uma das referências pernambucana.

Em outro momento, nós falávamos de My Fair Lady – musical de grande destaque que na primeira versão brasileira teve no palco a própria Bibi e o saudoso Paulo Autran – e da sua mais recente versão (terceira brasileira) que está em cartaz em São Paulo com a direção de Jorge Takla. Ela acredita está muito bem feita. Para os que ainda não conhecem (corre para assistir ou ao filme com Audrey Hepburn ou ao próprio musical em cartaz no Teatro Santander), My Fair Lady é um musical, uma comédia romântica, que traz a história da menina de rua Eliza, descoberta pelo professor Henry e transformada em uma bela moça da sociedade.

Então, quando perguntei se My Fair Lady seria o espetáculo mais importante da sua vida, Prontamente ela respondeu: “Acho que não. Bibi Concert I teria sido o mais importante da minha carreira.” Mas, logo depois quando perguntado – por uma outra colega de trabalho – Qual teria sido o espetáculo que ela mais gostou de fazer, ela respondeu que teria sido o musical. “Ele é um estudo maravilhoso de dicção – lembrando da transição da história que passa “vocalmente” pelo brusco, depois para o prolixo e termina na ‘fala correta’. “Foi a coisa mais bonita… E muito difícil de fazer.” Bibi fala em difícil pela própria transição que a personagem Eliza exige. “Difícil em teatro é você conseguir essa mudança sutil de um momento de representação para outro”. Falou Bibi. “É preciso muita prática, técnica, bom diretor e boa vontade do ator”.

Sobre o ator ela ainda comentou da inteligência que ele precisa ter para o uso da voz, além da necessidade de ter um bom ouvido. Saber como o usar a voz do início até o fim do espetáculo, balanceando para não chegar ao fim da apresentação sem ela por inteira. “Tem que se conhecer o suficiente para saber até onde vai a sua voz”. Chegamos neste ponto da entrevista pois foi perguntado à ela sobre a montagem do “Gota D’Água” interpretado pela mesma, e ela respondeu: “Para fazer Gota D’Água tem que ter aquela certeza que nasceu com voz. (…) Ator que faz tragédia tem que ter uma grande voz. Para isso tem que fazer Gota D’Água.”

Durante a coletiva algumas curiosidades foram perguntadas. Uma delas foi como é o dia a dia da artista. Escutar Sinatra todos os dias (ressaltando a importância de aprender a respirar como o cantor que respirava entre uma nota e outra sem demostrar nenhuma transição),  falar ao levantar o A E I O U para “acordar” a voz, ser uma pessoa do dia e, ainda, sempre ver filmes. “A maior diversão é o cinema”, diz a atriz. A coletiva também aconteceu um dia antes dos shows por “ritual”, pois no dia do espetáculo ela evita ao máximo falar, e bebidas só ao natural.

O encontro terminou com uma bela capela de um dos atos do Gota D’Água, nos levando ao suspiro.

Sobre as apresentações no Recife: caso você ainda queira conferir a diva da música e do teatro de pertinho, tem que correr pois os ingressos estão quase – quase mesmo – esgotados para as duas sessões.

Serviço

Quando? 9 e 10 de Setembro às 21h

Onde? Teatro RioMar – Shopping Riomar Recife

Ingressos? Entre R$110,00 e R$260,00

Vendas na bilheteria ou pelo site

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Carol Cruz

Uma pessoa completamente apaixonada pela cultura (por todo tipo de cultura), uma produtora vidrada pelo mundo do teatro, principalmente dos musicais. Viciada em uma adrenalina de uma produção, seja ela em um ao vivo ou em um evento. Fofurices me encantam mas Caetano também. Escreve culturalmente através deste blog!

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