O Macbeth intenso e lúdico de Thiago Lacerda e Ron Daniels

Thiago Lacerda como Macbeth. Foto: João Caldas/ Divulgação
Thiago Lacerda como Macbeth. Foto: João Caldas/ Divulgação

Vamos falar sobre Macbeth?

A primeira peça que vi no sábado (8) do Repertório Shakespeare (projeto que conta com duas peças de Shakespeare, adaptado e dirigido por Ron Daniels) foi bem intensa. Comecei a noite com a certeza que terminaria bem e feliz por ter assistido aos dois espetáculos. Nem foi tão cansativo pois me deixei levar pelas duas histórias e pelas interpretações dos mesmos atores.

Mas voltando ao espetáculo…

Macbeth, um drama clássico de Shakespeare, traz toda a intensidade de interpretações lúdicas, lúdicas e ao mesmo tempo surrealistas.

Um soldado ( Macbeth – Thiago Lacerda) – em seu mundo comum – se destaca na guerra e traz a vitória para o seu Reino. Ele acaba ganhando toda a confiança do Rei Ducan (Sylvio Birman). Mas o avanço fica só na confiança pois o Rei nomeia o filho mais velho como príncipe.

A raiva e ambição aparecem. E criaturas lúdicas também. Elas profeciam a morte do Rei e o novo poder para Macbeth. Ele chega a se empolgar. Fala com a sua esposa Lady Macbeth, que dá todo o apoio e o incentiva para ele acabar com a vida do Ducan. Então, o mesmo mostra que seu medo e ambição andam lado a lado. A ambição vence. Ele destrói o rei mas logo depois o restante descobre que ele foi o culpado. Assim começa uma guerra entre os fiéis ao Rei Ducan e a própria mente e culpa de Macbeth contra o próprio.

Posso dizer que não só temos 12 atores em cena. Digamos que temos 14. A mentalidade do casal Macbeth se transforma em dois personagens que dão o toque dedramático para a história. Se Thiago Lacerda e Luisa Thiré deram conta dos “dois papéis”? Sim. Deram. Acho que quem não deu conta foi o público que, creio eu, não compreendia direito. Teve risada e teve telefone celular tocando em momentos inadequados. Coitados dos atores.

Falando em risadas, olha ele aí de novo. Lembra que na resenha sobre Medida por Medida falei do Lourival Prudêncio? Que ele estava em Macbeth e que tinha feito o público rir no momento certo? Então. Em Macbeth Lourival interpretou o médico, o sargento e o porteiro. Palmas para o porteiro. Personagem “rápido”. Apareceu com um humor na medida certa para um drama. Tudo bem, vocês podem falar: “mas claro que ele aparece na medida certa pois é Shakespeare!”. Ok. É Shakespeare. Mas também é a adaptação de Ron para nosso tempo. Para nossa atual situação política e econômica.

Posso falar da iluminação, do cenário simples mas com detalhes que fizeram a diferença (teve um momento em destaque que soltei um – com o perdão da palavra: caramba… que f…!) e da iluminação. Mas não posso não falar do quanto eles estavam bem coreografados. Ou seja, bem dirigidos. Marcação incrível. Nada ficou fora do alcance do olhar do público. Na verdade teve algo faltou. Faltou o espectador entender que em uma das lutas a música – que lembrava músicas de capoeira – não era para fazer rir e sim para dar tensão. Aí você se pergunta: mas a culpa não seria do diretor? Não. Pois dava para entender bem que aquele momento não era nada engraçado.

Palmas, Ron! Palmas!

Incrível direção.

E palmas para os atores. Já falei no post sobre Medida por Medida mas tenho que falar novamente. Com uma diferença de uma hora vocês foram incríveis. Eram personagens totalmente diferentes. E eu, que vi uma seguida da outra, consegui ver exatamente isso. Personagens totalmente diferentes.

Em tempo eles terminam a turnê em São Paulo no fim do mês. Vale a pena conferir!

Gostou do meu post? Então compartilha!

Carol Cruz

Uma pessoa completamente apaixonada pela cultura (por todo tipo de cultura), uma produtora vidrada pelo mundo do teatro, principalmente dos musicais. Viciada em uma adrenalina de uma produção, seja ela em um ao vivo ou em um evento. Fofurices me encantam mas Caetano também. Escreve culturalmente através deste blog!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *