“Roque Santeiro, o Musical” e sua ótima adaptação da novela para o teatro!

Jarbas Homem de Mello, Lívia Camargo, Flávio Tolezani e Mel Lisboa estão no elenco do "Roque Santeiro, o Musical". Foto: Divulgação.
Jarbas Homem de Mello, Lívia Camargo, Flávio Tolezani e Mel Lisboa estão no elenco do “Roque Santeiro, o Musical”. Foto: Divulgação.

Olá, caderno de teatro! Quanto tempo, querido! …

Gente, desculpa a demora dos posts sobre teatro, mas essa mudança deixou o blog tão “fora do ar”, que só agora estou conseguindo postar normalmente. E, depois de um tempo sem escrever neste caderno, nada melhor do que começar com um post com as minhas impressões sobre o primeiro musical que fomos assistir depois da nossa chegada em São Paulo.

O escolhido foi Roque Santeiro, o Musical, que está em cartaz no Teatro FAAP, de sexta à domingo, em diferentes horários. A programação está prevista para ficar até maio, mas, dependendo da procura do público, ela pode se estender até junho desse ano.

A produção, com direção de Débora Dubois, traz no elenco Flávio Tolezani, no papel do Roque, Mel Lisboa, como a Mocinha – ex-noiva do vivo-morto, Jarbas Homem de Mello, como o Sinhozinho Malta, e Lívia Camargo como a Viúva Porcina, entre tantos outros nomes maravilhosos (logo mais falo sobre eles aqui).

Para começar, acho que a primeira pergunta que surgi na cabeça de vocês é: conseguiram adaptar uma novela – produção que tem no mínimo 6 à 9 meses – para o teatro? Conseguiram adaptar para 2 horas de espetáculo? Não se preocupem, pois essas também foram as minhas perguntas antes do terceiro toque. Será que eles conseguiram adaptar? E depois de assistir ao musical eu só tenho uma resposta: sim, conseguiram! Fizeram muito, muito bem feito.

Não é de hoje que o cantor Zeca Baleiro vem mostrando seu trabalho nos musicais brasileiros. Talento ele tem. E muito. Aí, se juntou à Débora Dubois, e pronto. Não tem como uma peça sair mal feita. O texto de Dias Gomes conseguiu “resumir” bem a novela que tanto fez sucesso com os atores Regina e Lima Duarte na década de 90.

É meio que impossível ir para uma peça “adaptada” e não fazer relação nenhuma com a outra produção. Desculpas, tentei, mas não consegui. Falando em comparações, uma coisa importante foi a adaptação dos personagens. Foram poucos os “trejeitos” que os atores da peça usaram dos atores da novela. Quem mais usou desses “detalhes” foi o próprio Jarbas, mas realmente não tinha como não ser desse jeito. São pequenas ações que o Lima fazia na novela, que se não fossem para o palco, o público com certeza não ia gostar, ou ia achar que alguma coisa faltando.

Ainda falando sobre o Jarbas, foi o que mais me chamou a atenção em relação ao sotaque. Nada forçado, e super bem feito. Parece natural. Ninguém diz que ali é um paulista interpretando um “cabra da peste”. O mesmo aconteceu com a Viúva Porcina, mas não tão bem como com o Senhorzinho.

“Tô certo ou tô errado?”

Falando sobre o elenco, teve algo que me chamo bastante a atenção: a participação dos atores na própria banda do musical. – Não vou mentir e dizer que adoro quando a banda está no palco, junto com os atores. Não gosto. Esse “compartilhamento de palco” tem que ser muito bem trabalhada. Algo que me irrita muito, por exemplo (meio que uma frescura, mas vou falar), são as luzes dos instrumentos quando em algum momento o cenário está totalmente escuro e você percebe que tem aquele pontinho de luz. Tudo bem que esse “compartilhamento” acontece, na maioria das vezes, por conta de falta de espaço nos teatros, ou pelo tamanho da banda que às vezes nem é tão grande assim, mas tudo tem que ser bem planejado e bem feito. Foi o que aconteceu em Roque Santeiro, o Musical. A banda estava no palco, na lateral, e interagia muito com as atores, que também tocavam. A primeira que percebi foi Mel Lisboa. A atriz além de atuar, tocou uma percussão, um triângulo, e cantou muito bem. Outro que também participou tocando foi o próprio Flávio Tolezani, que apareceu na banda antes mesmo de entrar em cena como o Roque.

Além deles, um um outro personagem me chamou muito a atenção: o Toninho Jiló, feito por Marco França. Interpretando aquele nordestino “arretado”, Marcos atuou, dançou, cantou e tocou. Intercalando entre a banda e a história, o ator ganhou um presente maravilhoso, que foi atuar em um personagem que entra na hora certa, com o texto certo, com o humor certo (sempre falo desse tipo de personagem por aqui, normalmente são os que mais me chamam a atenção), com o sotaque certo, com o talento certo. Na novela, Toninho Jiló estava sobre a responsabilidade de João Carlos Barroso.

Falando em talento, não posso deixar de citar o restante do elenco que está bem afinado: Edson Montenegro como Padre Hipólito, Cristiano Tomiossi como o Profesor Astromar e o General, Nábia Vilella como a Dona Pombinha, Dagoberto  Feliz como o prefeito Florindo Abelhas, Samuel de Assis como Zé das Medalhas, Giselle Lima como a Ninon, Yael Pecarovich como a Rosali, e Luciana Carnieli como a Matilde. Um “pequeno” elenco, mas de qualidade indescritível.

Destaque também para a cenografia, figurino e luz, que juntos fizeram um excelente trabalho. As cores estavam conversando bastante com o clima que se pede na história.

Elenco do Roque Santeiro, o Musical, que está em cartaz no Teatro FAAP, em São Paulo. Foto: Culturalmente Falando.
Elenco do Roque Santeiro, o Musical, que está em cartaz no Teatro FAAP, em São Paulo. Foto: Culturalmente Falando.

Fato curioso: na sessão em que assistimos, uma senhorinha – não vou arriscar à falar a idade média dela -, que estava sentada na primeira fileira, interrompeu o espetáculo para pedir para o personagem apagar o cigarro. – Sim. Tem cigarro durante a atuação. – No momento, os atores souberam agir muito bem. Apagaram o cigarro, e fizeram com que a plateia inteira caísse na risada e aplaudisse durante uma improvisação. Um jogo de cintura para uma situação em que eu nem sei o que dizer. Que, inclusive, dá um bom debate.

Você faria o que no lugar dos atores?

Bem, como eu falei no início do post, a peça fica em cartaz até maio OU junho no Teatro FAAP, de sexta à domingo. Os ingressos estão à venda na bilheteria do teatro ou pelo site na internet.

Vá ao teatro, vale muito à pena! Vá e saia dançando ao som do ABC do Santeiro…

Serviço

Quando? Sexta-feira às 21h | Sábado às 21h | Domingo às 18h

Onde? Teatro FAAP – Higienópolis, São Paulo – SP.

Ingressos? Na bilheteria do teatro ou pelo site.

Valores? Entre R$25,00 e R$100,00.

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Carol Cruz

Uma pessoa completamente apaixonada pela cultura (por todo tipo de cultura), uma produtora vidrada pelo mundo do teatro, principalmente dos musicais. Viciada em uma adrenalina de uma produção, seja ela em um ao vivo ou em um evento. Fofurices me encantam mas Caetano também. Escreve culturalmente através deste blog!

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